Na semana de 16/08, grandes lançamentos estão chegando aos cinemas. Entre eles, temos Christopher Robin, Mentes Sombrias, O Protetor 2, entre tantos outros, mas uma produção brasileira consegue se destacar no meio deles por vários motivos. Além de uma história contemplativa e cheia de metáforas, como ressaltamos em nossa crítica, outro fator que se torna um diferencial é sua proporção.

A proporção de tela (do inglês, aspect ratio) é a relação entre a largura e a altura da imagem. Entre os mais comuns, temos o 1.33:1, também conhecido como 4:3; assim como o 1.66:1, o 16:9, usados em imagens de alta definição. O mais comum usado nos cinemas é o formato 2.39:1.

Já vimos alguns exemplos fora da caixa nas telonas, como o recente Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino, filmado com uma Ultra Panavision 70 mm com formato 2.76:1. Também temos o ousado Napoleon (1927) com o 4.00:1.

Em Unicórnio, com roteiro e direção de Eduardo Nunes, a proporção utilizada é o 3.66:1, que tem como resultado imagens como estas abaixo:

A princípio pode haver um estranhamento por parte do espectador, assim como aconteceu comigo durante a sessão, mas isso logo se transforma em encantamento pela experiência que este formato proporciona. De cara, podemos perceber que só temos a ganhar com uma proporção tão grande, resultando em imagens ricas e com muito mais informação do que estamos acostumados.

Obviamente, não existem telas projetadas para este tipo de formato, então temos letterboxing (as barras pretas na horizontal) para que todo este conteúdo caiba no quadro. Porém, a sensação não é a de que perdemos informação na horizontal, e sim que ganhamos na vertical.

Curiosamente, mesmo que você assista ao filme em uma sala de cinema, é impossível ter uma visão completa de tudo que está acontecendo na cena. Em muitos momentos temos o destaque de elementos, como objetos e personagens em um dos cantos da tela, ressaltado pelo uso do desfoque.

Por conta disso, os planos são muito bem pensados enquadrando de forma que apenas este filme é capaz de fazer. Também é possível perceber a preocupação em compor os planos de forma que sejam aproveitados os espaços vazios, dando a sensação de infinidade ou trazendo simetria e harmonia.

Essas questões dialogam com a narrativa do longa e a forma como o ambiente é explorado. A ideia é representá-lo como uma espécie de paraíso, trazendo elementos de fantasia. Neste caso, não só a proporção, como a fotografia e outras qualidades técnicas, ajudam a transmitir esse conceito.

Essa decisão também afeta diretamente aqueles que vão assistir ao filme em outras mídias, como na TV. Caso não seja usado o letterboxing, a perda da informação pode afetar na narrativa, fazendo com que o público não veja algum elemento importante que estava enquadrado originalmente. Portanto, a melhor opção é assistí-lo no cinema, se tornando uma forma única de se contar uma história.

Unicórnio é mais que um filme, é uma experiência. Ele só tem a agregar na forma de se fazer e pensar cinema, podendo abrir portas para novas maneiras de se filmar e explorar a proporção. Sem dúvida, um marco para o cinema brasileiro.

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