Durante os dias 21 e 29 de julho, o Rio de Janeiro recebeu a 26ª edição do Festival Internacional de Animação do Brasil – o Anima Mundi. O evento, que chega amanhã (1) em São Paulo, contou com exibições de vários curtas e filmes nacionais e internacionais, além de palestras e atividades para toda a família.

Painel do Anima Mundi 2018, no Cine Odeon – RJ (© Copyright / Trem do Hype)

No dia 28, durante o evento, aconteceu no Cine Odeon (Centro do RJ) uma exibição especial do filme O Touro Ferdinando, com a presença do diretor Carlos Saldanha. O longa concorreu ao Oscar 2018 na categoria de Melhor Animação, mas perdeu para Viva – A Vida é Uma Festa.

• O brasileiro Carlos Saldanha

Carlos Saldanha durante a exibição especial de “O Touro Ferdinando”, no Rio de Janeiro (Foto: Palavra Comunicação)

Responsável também pelas franquias A Era do Gelo e Rio, Carlos Saldanha conseguiu se consolidar nos EUA. O brasileiro cursou Mestrado em Artes e se especializou em animação digital na School of Visual Arts, em Nova Iorque. Atualmente, ele é uma das mentes mais criativas e talentosas da Blue Sky Studios – responsável por todo o CGI de suas animações. O estúdio pertence à 20th Century Fox, desde 1997.

O Touro Ferdinando não foi a primeira indicação de Saldanha no Oscar. Em 2004, o A Aventura Perdida de Scrat concorreu como Melhor Curta de Animação, mas também perdeu e Harvie Krumpet foi quem levou a estatueta. Embora tenha perdido nessa premiação, o curta ficou em 1º lugar no Los Angeles Art Film Festival.

Animações criadas por Carlos Saldanha (© Copyright / Trem do Hype)

Durante a participação no Anima Mundi, Saldanha contou que muitas de suas escolhas, para se tornarem animações, vieram de sua infância e de histórias que marcaram a sua vida. Em uma entrevista exclusiva para o nosso site, ele comentou como é o trabalho de criação dos longas:

“É um processo longo. Temos uma equipe grande de criativos, em que todos nós trabalhamos juntos com os roteiristas, com o pessoal que faz os desenhos, para trazer a história que queremos contar. Nós temos que começar com uma base, vendo qual é a essência dessa história. No caso de O Touro Ferdinando, já tínhamos o livro como base e tivemos que ampliar isso e… Bater a cabeça e começar a trabalhar. É um processo criativo como qualquer outro, onde você busca inspirações e elementos emocionais que quer agregar. Começa pequeno e depois vai crescendo.”

Imagem de “O Touro Ferdinando” (© Copyright / Trem do Hype)

• Rio

Em Rio, toda a criação veio à partir de uma cena teste com o protagonista Blu sambando. Para convencer os produtores de que a história de uma arara azul, no carnaval do Rio de Janeiro, funcionaria em uma animação, Saldanha – junto dos animadores – criou essa cena, que você pode conferir um trecho abaixo:


“Em Rio 2 também utilizamos o nosso processo criativo”, disse Saldanha, ao falar sobre as paisagens turísticas que aparecem na sequência. “Baseado na história que você quer contar, cria-se o mundo que vai ser mostrado. Na sequência a gente queria levar esse mundo para a Amazônia, ampliar e mostrar mais o Brasil… Então todo o processo vem dessa base temática e você expande da melhor forma, para descrever essa temática, dentro do visual da animação utilizando cores, lugares bonitos e tudo mais.”

Uma das cenas de “Rio 2” na Amazônia

• Futuros projetos

A série Cidades Invisíveis é uma das novidades de Saldanha. A produção será exclusiva da Netflix e é um projeto de paixão de vida do diretor. Além disso, a série será o primeiro projeto dele com atores protagonizando, em vez de animação.

A história vai retratar um submundo habitado por criaturas místicas que evoluíram de uma linhagem do folclore brasileiro. O protagonista, que será vivido pelo ator Marco Pigossi, é um detetive que se envolve em uma investigação de assassinato, fazendo com que os dois mundos se encontrem.

Saldanha nos contou que o projeto ainda não começou de fato: “Está muito no início ainda. Não começamos a escrever, nem nada. É uma ideia que passei para a Netflix e eles gostaram, querendo fazer uma série. Vai ser um desafio novo – será live-action, não uma animação – e talvez eu não dirija todos os episódios. É uma coisa que vai me fazer voltar às origens do Brasil, da cultura brasileira, e será algo muito interessante. Será bem legal.”

O que já se sabe é que Cidades Invisíveis terá 8 episódios, com 1h de duração cada, e a produção deve começar no final de 2018.

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Toda a equipe do Trem do Hype agradece muito ao Saldanha pela atenção e por nos conceder essa entrevista. Agradecemos também à assessora Thais Prudente, por nos conceder algumas das fotos utilizadas neste artigo.

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