Depois de uma ótima adaptação do famoso jogo mobile Angry Birds para os cinemas, em 2016, já era de se esperar que sua sequência fosse adaptar a trama de Angry Birds 2. Desta vez, os porcos e os pássaros descobrem uma terceira ilha e fazem uma trégua para enfrentar o inimigo em comum: as águias.

Para isso funcionar, o longa decide focar numa equipe delimitada, porém, dando mais atenção para os pássaros. Entre os personagens que mais ganham desenvolvimento, está Red, explorando seus medos e a busca por um propósito, assim como as consequências dos eventos anteriores na sua vida. Bomba e Chuck mais uma vez funcionam como apoio, com boas piadas, principalmente de forma visual. Já Silver, irmã de Chuck, é uma das melhores adições no elenco. A jovem inteligente conquista seu espaço, com o decorrer da animação, em meio a tantos personagens.

Porém, quem realmente rouba a cena são os três filhotes que nasceram no filme anterior. Eles vivem uma aventura paralela à história principal, funcionando de forma semelhante ao papel de Scrat na franquia A Era do Gelo. Eles são fofos, carismáticos e contam com um humor mais exagerado, se tornando uma boa quebra de expectativa.

Todos esses personagens citados acima têm suas características ressaltadas pela dublagem brasileira, que está excelente. Apesar dos trailers não contarem com o mesmo elenco, na animação temos o retorno dos humoristas Marcelo Adnet (Red), Fábio Porchat (Chuck) e Dani Calabresa (Matilda). Outro grande destaque é Guilherme Briggs (Leonardo), trazendo elementos brasileiros na fala do personagem como “um porquinho mais alto” e “santa pururuca“.

A vilã Zeta e toda sua ilha de gelo são responsáveis por boas piadas situacionais, principalmente graças a sua personalidade excêntrica. Com o decorrer da trama, a águia revela suas motivações, ganhando novas camadas que a deixam mais interessante e menos unidimensional. Esse é um exemplo de arco que talvez as crianças não captem, mas foi feito pensando nos pais – que vão levar os filhos ao cinema. Essa transição de tom não é feita de forma tão sutil quanto nas animações da Pixar, por exemplo, havendo momentos que apelam demais para apenas um dos públicos.

A história é muito simples, girando em torno de uma arma destrutiva que atira bolas gigantes de gelo. Mesmo assim, as 1h 39m de duração pesam, principalmente por conta do exagero de cenas cômicas, que poderiam facilmente serem descartadas. Todas as brechas são usadas para colocar humor de alguma forma, o que normalmente funciona, mas acaba ficando cansativo com o tempo. Mesmo com foco na comédia, Angry Birds 2 ainda conta com ótimas sequências de ação, incluindo referências a Missão Impossível e outras produções do gênero, dando um maior senso de aventura durante todo o longa.

Ele também conta com diversas músicas populares, que vão de clássicos como “All By Myself” e “So Happy Together”, até as mais atuais “Turn Down For What” e “Baby Shark”. Elas são usadas para explicitar os sentimentos dos personagens, como tristeza, solidão e felicidade. Claramente, essa é uma forma de atrair um público infantil, que já está acostumado com essa dinâmica graças aos vídeos da internet, como os próprios memes.

Depois do sucesso com Homem-Aranha: No Aranhaverso, o estúdio Sony Pictures Animation mais uma vez faz um excelente trabalho visual. O destaque fica para a textura das penas e roupas usadas pelos animais, se tornando quase palpáveis. Também há uma riqueza na ambientação de cada cenário, assim como uma preocupação na escala dos elementos em cena.

Angry Birds 2 consegue superar o primeiro filme, com melhor ritmo e foco narrativo, além de desenvolver seus personagens. Por outro lado, a inserção de músicas e o excesso de piadas se tornam cansativos com o tempo. No fim, o saldo é positivo e garante boas risadas, se tornando um ótimo programa para a família.

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