Logo na primeira cena, As Viúvas diz a que veio. Com um misto de risco e paixão, a sequência inicial mostra uma alucinante perseguição de carros, intercalada com um beijo intenso entre os personagens de Viola Davis e Liam Neeson. A partir daí, já compreendemos que o diretor Steve McQueen pretende mexer com vários sentimentos do espectador.

O filme, adaptado do livro de Lynda La Plante, acompanha quatro mulheres sem nada em comum, exceto por uma dívida deixada pelas atividades criminosas de seus maridos mortos. Situada na contemporânea Chicago, em meio a um tumulto, as tensões aumentam quando Veronica (Viola Davis), Alice (Elizabeth Debicki), Linda (Michelle Rodriguez) e Belle (Cynthia Erivo) entram para o mundo do crime ao decidirem terminar o que seus amados não conseguiram completar.

Apesar de ter uma linha central de narrativa, As Viúvas possui várias subtramas que sempre nos deixam interessados em como vão se conectar. Assinando como co-roteirista, Gillian Flynn – do surpreendente Garota Exemplar – consegue dar seu toque pessoal no longa ao conduzir o público de uma forma para que depois possa desconstruir quase tudo o que tinha nos apresentado. Mesmo que todas as subtramas não sejam perfeitamente desenvolvidas, as reviravoltas são inteligentes e funcionam, pois o roteiro é muito bem amarrado. É preciso estar atento à todos os detalhes das cenas.

Os planos-sequência tornam a história mais dinâmica, acompanhando os personagens de um ponto ao outro. Dessa maneira, cada momento se torna importante para o que o longa pretende contar. E todos eles acompanhados da ótima trilha sonora de Hans Zimmer, criando o clima de tensão e suspense.

As quatro protagonistas são mulheres corajosas que tomam uma atitude diante da situação. Cada uma possui sua própria motivação para entrar no plano. Elas querem mostrar suas forças, mesmo com um sentimento de solidão em cada uma. Isso é mais visível nos planos abertos, que não só destacam as cores e o próprio ambiente, como também centralizam as personagens. Tudo em volta delas é amplo e cheio de detalhes, mas sempre estão sozinhas no cenário – mesmo que existam outras pessoas em suas vidas. Esse recurso ajuda a construir um elo dentro do grupo.

Veronica é a com mais destaque. Ela que se encarrega de organizar o roubo, e Viola Davis mais uma vez demonstra seu grande talento. A atriz consegue criar uma mulher forte que também possui suas dores e fragilidades. Elizabeth Debicki também está ótima como Alice, mostrando segurança em sua interpretação e sendo responsável pelos momentos mais descontraídos do filme. Completando o quarteto, Michelle Rodriguez e Cynthia Erivo estão bem nos papéis. Mesmo que Linda e Belle necessitem de mais construção, elas são peças fundamentais no plano.

Todo o elenco está ótimo. Daniel Kaluuya interpreta Jatemme, um personagem frio e com atitudes chocantes. A interpretação dele impressiona e, analisando seus papéis anteriores, ele se mostra um ator bem versátil. Merecidos elogios também para as interpretações de Colin Farrell, Brian Tyree Henry e Jacki Weaver.

As Viúvas é impactante e traz um incrível protagonismo feminino. O ato final realmente tira o espectador do lugar comum, despertando infinitas sensações. Um suspense digno e com grandes chances de chegar ao Oscar.

Filme de abertura do Festival do Rio 2018. A estreia nos cinemas brasileiros está marcada para 29 de novembro de 2018.

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