No suspense, prender a atenção do espectador e conseguir trazer uma trama que desperte a curiosidade são alguns pontos básicos para se trabalhar. E filmes como Buscando… se destacam nesse gênero e nas telonas. Não só por conseguir cumprir muito bem os principais objetivos, mas também por trazer uma proposta interessante e original, de uma forma tão inteligente, que torna a obra um trabalho praticamente impecável no cinema.

Acompanhamos a busca desesperada de David Kim (John Cho), junto das autoridades, pela sua filha Margot (Michelle La), de 16 anos. Ela desapareceu e já se passaram muitas horas sem nenhuma pista encontrada. Então, David resolve procurar por mais informações no computador dela, seguindo o seu rastro digital. A partir daí que a intensa história começa.

A comparação do longa com Amizade Desfeita (2015) é inevitável, já que ambos usam a tela do computador como base. Mas diferente dele, Buscando… explora muito mais as possibilidades que as ferramentas do PC dispõe, para que o filme seja criado. O diretor Aneesh Chaganty sabe utilizar esse recurso com o público, deixando tudo mais dinâmico através de janelas, arquivos, pastas e até avisos de compromissos e atualizações, que aparecem nos momentos mais inoportunos (causando ironia e humor ao mesmo tempo).

Assim que acompanhamos toda a investigação do pai. E é interessante o olhar que nos é exposto sobre o computador: ele vira um banco de dados de nossas vidas, onde fotos, vídeos, músicas e histórico dizem tudo sobre nós. Desde os gostos, passando pelo estilo de vida e pensamentos – o prólogo apresenta isso perfeitamente. Tudo que aprendemos sobre Margot é mostrado dessa maneira. Esse artifício não só faz toda a trama acontecer, como também deixa o filme bem mais íntimo pro espectador. Além disso, todos os textos, sites e conversas, que aparecem na tela do computador, foram traduzidos para o português brasileiro, reforçando essa ideia de intimidade e melhorando a experiência cinematográfica.

Para um primeiro longa-metragem, Chaganty já se mostra um profissional bastante experiente, inclusive escrevendo. O roteiro dele é inteligente em trabalhar com os plot twists que uma história assim normalmente traz, mexendo com o raciocínio e emoções do público em cada cena. O acerto também está em fazer de David um protagonista perspicaz, que sempre pensa no próximo passo. E John Cho traz uma ótima atuação, tanto verbal quanto expressiva.

O ritmo também é sensacional, sendo um dos principais destaques para o sucesso do longa. No excelente terceiro ato é onde Buscando… chega em seu ápice. Em certo ponto, os caminhos que são trilhados ficam imprevisíveis e funcionam quase que em tempo real. Ao final, a resolução é apresentada de uma forma genial e que surpreende.

Buscando… é um suspense que prende do começo ao fim. Sua inteligente proposta e todo o trabalho tornam ele um dos melhores filmes do gênero e do ano. Uma obra que mostra o talento de Chaganty e que nos deixa mais ansiosos para o próximo trabalho desse incrível diretor.