Quando foi lançado, em maio deste ano, Deadpool 2 saciou a sede pelo humor característico do Mercenário Tagarela. Quebra da quarta parede, piadas escatológicas e referências ao melhor (e o pior) da cultura pop – estava tudo ali. Agora, os fãs podem reviver essa experiência com uma pequena adição: Fred Savage. O ex-ator mirim, do clássico A Princesa Prometida, reprisa o seu papel de criança ouvindo uma história para dormir (mesmo sendo adulto). A história em questão é… Deadpool 2. Essa é, basicamente, a proposta de Era Uma Vez um Deadpool. Isso, e a exclusão de elementos violentos demais para o público mais jovem.

Se, por um lado, isso pode desanimar alguns fãs que esperavam uma nova aventura do anti-herói, por outro traz bons momentos cômicos – talvez os melhores de todo o longa. Com seu timing para comédia, Savage tira sarro de fanboys chatos, da banda Nickelback e até mesmo dos filmes da Marvel produzidos pela Fox. Isso gera uma dinâmica divertidíssima com o irreverente Ryan Reynolds (ou deveria dizer Wade Wilson?), que passa com muita naturalidade as resoluções absurdas (no bom sentido) do roteiro. Quem gosta das piadas dos dois primeiros filmes não se decepcionará aqui. Há também a adição de duas engraçadas cenas na sequência em que Wade tenta tirar a própria vida (uma inclusive com referência a uma popular animação da Pixar), mas não passa muito disso.

Vale destacar a adição de uma nova cena pós-créditos, que faz uma bela homenagem ao nosso querido e recém-falecido Stan Lee. Se trata de um pequeno fragmento documental que certamente vai tocar os corações de seus fãs, mas não tem envolvimento direto com a trama do filme.

Então, temos algumas cenas novas, só que em detrimento de outras (muito boas, por sinal). Um momento que estava presente em Deadpool 2, e é deixado de fora nesta versão, é a sequência musical que parodia as aberturas dos filmes do James Bond (ao som da excelente Ashes, de Céline Dion). Outro que tiraram é o em que Wade enfrenta criminosos em diferentes lugares ao redor do mundo. Além disso, cenas mais violentas sofrem alterações consideravelmente notáveis. A mais evidente é uma das pós-créditos, em que Ryan Reynolds recebe o roteiro de Lanterna Verde. Não é nada que necessariamente estrague as cenas, mas causa um inevitável estranhamento para quem já viu as originais.

Ainda assim, Era Uma Vez um Deadpool pode ser uma boa pedida para os fãs do personagem, somente pela sua interação com Fred Savage. As risadas são garantidas. Quanto ao resto… Bom, quem viu Deadpool 2 já sabe. É literalmente o mesmo filme, com menos sangue e palavrões. Talvez ainda não seja recomendável para toda a família, levando em consideração a permanência de conteúdos impróprios para menores de 12 anos (a piada do sabonete líquido, por exemplo). Porém, deve dar para levar aquele primo ou irmão mais novo que veio te visitar no feriadão.

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