Em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, Tom Holland vinha de uma participação especial em Guerra Civil e precisava provar que era a escolha certa para viver Peter Parker em seu primeiro filme solo. Agora, a responsabilidade é ainda maior, pois Longe de Casa se passa depois de Vingadores: Ultimato, conclui a Fase 3 e ainda conta com a promessa de iniciar o multiverso do MCU. O resultado certamente dividirá os fãs.

Assim como era de se esperar, o longa começa justamente explicando como ficou o mundo após o estalo de Thanos – o evento é chamado de “The Blip”. As consequências são expostas de maneira excelente, pois combina com o tom proposto, tratando tudo de forma leve. Desta vez, Peter Parker (Tom Holland) e seus amigos estão fazendo uma viagem escolar pela Europa, mas a viagem sofre algumas interrupções pelo surgimento dos Elementais.

A direção de Jon Watts resgata a mesma essência teen de De Volta ao Lar, trazendo momentos genuinamente divertidos e um clima agradável de viagem. Nesse sentido, Longe de Casa consegue ser ainda melhor que seu antecessor, pois os personagens secundários – incluindo os professores – ganham mais destaque. O mais legal de tudo isso é como o roteiro consegue incluí-los na trama principal. Seja com Flash (Tony Revolori) tirando fotos e fazendo lives no Instagram ou Ned (Jacob Batalon) e sua namorada Betty (Angourie Rice). Essas subtramas não deixam o roteiro inchado e são interessantes de se acompanhar pelas novas dinâmicas.

Tanto a vida normal quanto a heroica de Peter são muito bem divididas, ajudando o filme a nunca perder o ritmo e fluir muito bem. Em alguns momentos elas são, inclusive, mescladas. A produção passa por diversas cidades da Europa, entre elas Veneza, Berlim, Praga e Londres, mas, graças à edição, nunca fica cansativo.

Em comparação a De Volta ao Lar, seu sucessor possui mais sequências de ação e todas de ótima qualidade. Não só os efeitos visuais estão convincentes, como a coreografia do Homem-Aranha se movimentando com a teia é bem criativa, resolvendo situações praticamente perdidas. Inclusive, o Sentido Aranha é introduzido de vez ao universo do personagem nos cinemas de forma marcante.

Uma das novidades de Longe de Casa é a quantidade de uniformes do Homem-Aranha: quatro no total. Mesmo que o número seja muito maior do que estamos acostumados, podemos dizer que, dentro da trama, todos fazem sentido e não estão lá apenas para vender bonecos. Porém, o mais interessante é que o protagonista não precisa necessariamente estar com algum uniforme para enfrentar os vilões. Aqui vemos, por exemplo, ele lutar com o Elemental de água apenas com os lançadores de teia, o que lembra a dinâmica vista em Homem de Ferro 3, quando Tony Stark luta apenas com partes da armadura.

Em De Volta ao Lar, muitos fãs estavam preocupados com o quanto de Robert Downey Jr. estaria no filme, mas felizmente sua participação foi bem sucinta. O mesmo não pode ser dito sobre Longe de Casa, pois apesar do personagem estar morto, ele surge em diferentes tipos de homenagem. É claro que isso já era de se esperar pelos eventos de Ultimato, mas o Homem-Aranha chega a perder seu protagonismo. O longa tem mais “Homem de Ferro” do que deveria justamente porque boa parte da história discute quem ficará no seu lugar.

Tom Holland continua divertido como Peter Parker, trazendo o tom jovial que sempre pedimos ao personagem, com e sem a máscara. Além disso, em cenas mais dramáticas, Holland também entrega uma excelente atuação. Aqui, seu objetivo é pedir MJ (Zendaya) em namoro durante a viagem, o que é engraçado de acompanhar pelas dificuldades que passa. Os dois protagonizam momentos fofos juntos e contam com uma boa química, mas o que não fica claro é porque ou quando Peter ficou apaixonado por ela. Parece que isso só acontece porque está no roteiro.

Enquanto o Peter Parker de Holland funciona, seu alter-ego se torna mais problemático. O culpado por isso não é necessariamente o ator, mas sim as decisões do roteiro. Levando em conta tudo que o personagem já passou no MCU, fica difícil entender suas motivações aqui, ora egoísta, ora ingênuo demais. Certas atitudes seriam compreensíveis se ele estivesse começando como um herói, mas não depois que ele foi ao espaço. A sensação que fica é que ele regrediu em seu arco ao invés de ter aprendido alguma coisa. Sem seu tradicional mentor, a missão fica com Nick Fury (Samuel L. Jackson), que está excelente no papel. O personagem está mais sisudo e autoritário, criando um ótimo contraste ao tom leve do filme. Por outro lado, infelizmente, Maria Hill (Cobie Smulders) não tem muito o que fazer.

Quem se destaca na história é Mysterio, que praticamente foi feito para Jake Gyllenhaal. O visual do personagem está incrível e muito fiel aos quadrinhos, além de ser sempre empolgante vê-lo em ação. Ele ainda cumpre uma posição quase paterna para o protagonista, como conselheiro, que funciona no contexto e tem grande importância para a trama.

É impossível não se divertir com Homem-Aranha: Longe de Casa, explorando ainda mais o universo do herói e trazendo uma história mais grandiosa que seu antecessor. Porém, certas decisões do roteiro certamente vão dividir os fãs, o que não é novidade para o MCU. O filme conta com spoilers que podem estragar sua experiência e um final de explodir a cabeça – incluindo nas duas cenas pós-créditos – portanto, assista o mais rápido possível.

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