Criado nos anos 60 pelo lendário Stan Lee, o Homem-Aranha é um dos personagens mais icônicos dos quadrinhos, com inúmeras adaptações para a TV e estando em sua terceira franquia live-action nos cinemas. A Sony, detentora dos direitos do herói nas telonas, fez um acordo com a Marvel Studios em que a segunda pode utilizá-lo em seus filmes. Mas, percebendo o potencial do personagem, a primeira não ficou atrás e decidiu surpreender lançando a animação Homem-Aranha no Aranhaverso.

Os quadrinhos do Aranha são recheados de histórias que dialogam bastante com os jovens – não só pela idade do personagem, mas também pelas temáticas em si. E com inúmeras versões existentes, nada mais justo do que investir nessa ideia. Aqui, não temos o famigerado Peter Parker como protagonista. Mas sim, Miles Morales – um adolescente do Brooklyn, que também é picado por uma aranha radioativa. Enquanto descobre seus poderes, Miles terá que combater o Rei do Crime, que está tentando abrir um portal entre dimensões. Mas o jovem terá a ajuda de outras versões do Homem-Aranha, que aparecem de repente na cidade.

De uma maneira divertida e inteligente, o público é apresentado a tudo que envolve a vida de Miles. O roteiro da dupla Phil Lord e Christopher Miller acerta bastante neste ponto, não tornando a narração algo literalmente didático. Dessa mesma maneira, eles apresentam todas as cinco diferentes versões do herói: o Homem-Aranha original, Gwen-Aranha, Aranha-Noir, SP//DR (Peni Parker) e o Porco-Aranha. Para quem não acompanha os quadrinhos, o quinteto é completamente desconhecido. Mas através de pequenas pausas na narrativa, o filme explica cada um deles, rapidamente tornando-os carismáticos e deixando tudo mais cômico.

Além de várias referências à trilogia do Sam Raimi, os elementos clássicos da história do Homem-Aranha também estão presentes, como alguns vilões, o Tio Ben e a Tia May. Aliás, temos aqui a melhor e mais badass versão da Tia May, sendo um dos destaques do longa. Entretanto, o foco principal é mesmo no Miles Morales, construído como um protagonista em que podemos nos identificar. Seus defeitos e medos são o que o definem, e ao longo do filme ele vai aprendendo a lidar com tudo isso. É interessante como a trama trabalha as perdas do personagem, criando a verdadeira face de um super-herói.

Estilo é uma palavra que define bem Homem-Aranha no Aranhaverso. Com um visual inovador e cheio de cores, essa é uma das animações mais impressionantes em termos de design e proposta. A linguagem cartunesca deixa a sensação que os quadrinhos estão saltando para a telona, proporcionando uma experiência única. Onomatopéias, interjeições, balões de pensamento… Está tudo ali. É possível perceber as várias texturas utilizadas, além dos diferentes traços para as versões do Aranha, mostrando um trabalho estético incrível da equipe de animadores.

Com tudo tão bem planejado, a combinação se torna ainda mais perfeita com a trilha sonora – destacada pelo rap, relacionando-se com o universo do protagonista; e o trabalho de dublagem, que inclui nomes como Shameik Moore, Hailee Steinfeld, Nicolas Cage e Liev Schreiber, em que todos conseguem dar divertidas interpretações aos papéis. E sobre os pontos negativos, podemos falar sobre o segundo ato – onde a história sofre um pouco com o ritmo; e a batalha final, se prolongando mais do que deveria. Poucos, pois o resultado final é excepcional.

Divertida, estilosa e visualmente impecável, Homem-Aranha no Aranhaverso se consagra como uma das melhores animações já vistas nos cinemas. Inesperadamente, a Sony expandiu o universo do herói, nos fazendo querer mais histórias e revelando as infinitas possibilidades para o cinema. Sim, mais de um herói pode usar a máscara.

P.S: existe uma cena pós-créditos, onde mais uma versão do aracnídeo é apresentada. Isso mostra que a franquia animada tem chances de ganhar sequências.

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