Nos últimos anos, os filmes com monstros gigantes se tornaram cada vez mais populares em Hollywood. Depois de lançamentos como Godzilla, King Kong e o retorno da franquia Jurassic World, agora chegou a vez de um representante marinho ganhar seu próprio filme: Megatubarão. Mesmo com um roteiro previsível, o longa consegue entregar uma experiência imersiva e agradar ao público dos blockbusters.

Baseado no livro Meg: A Novel of Deep Terror, escrito por Steve Alten em 1997, o filme acompanha um grupo de cientistas que acaba despertando um Megalodon: um tubarão pré-histórico com mais de 20 metros de comprimento, que todos pensavam estar extinto. Para ajudá-los a lidar com este problema, eles contam com a ajuda de Jonas Taylor (Jason Statham), que já enfrentou a criatura no passado.

Dirigido por Jon Turteltaub, um dos principais desafios do filme é representar o perigo do Megalodon. Para isso, são construídos momentos de tensão e suspense desde a primeira cena, trazendo uma câmera na mão e um enquadramento próximo ao rosto dos personagens para dar a ideia de claustrofobia e pânico.

A princípio, o longa trata o Megalodon e outros animais marinhos gigantes como uma ameaça invisível, mas aos poucos o animal é revelado, surpreendendo pelo seu tamanho e poder de destruição. As cenas de ação onde os personagens precisam fugir do monstro são muito inventivas, mesmo beirando ao absurdo, se tornando uma ótima forma de entretenimento.

Uma das melhores sequências é praticamente uma homenagem ao filme Tubarão, de 1975, dirigido por Steven Spielberg. Entre as semelhanças está o uso da visão do Megalodon em primeira pessoa e o ataque aos banhistas, mas aqui em uma escala muito maior.

Além disso, o mundo submerso descoberto pelos cientistas também é um espetáculo visual, se tornando uma experiência imersiva principalmente por conta de recursos como o 3D e o IMAX. É um universo rico que pode ser mais explorado pela diversidade de criaturas existentes.

Outro ponto que chama atenção é a trilha sonora de Harry Gregson-Williams, conhecido pelas franquias Shrek e As Crônicas de Nárnia. Em Megatubarão, ela funciona como um bom condutor das cenas de tensão e se destaca pelo tema do Megalodon, presente sempre em que a criatura aparece.

Apesar de ser divertido assistir ao tubarão gigante devorar pessoas, para aqueles que esperavam um filme mais violento podem se decepcionar. Por ter recebido uma baixa classificação indicativa, em alguns momentos o espectador pode sentir falta de mortes mais sanguinárias, o que pesa em um filme que se classifica no gênero de terror.

Porém, esse não é o único erro de Megatubarão, tendo como principal defeito seu roteiro. Mesmo que o público já espere um filme com situações absurdas, ele pode incomodar pela trama genérica, frases de efeito e um tom que destoa da premissa. Além disso, os personagens não são interessantes o suficiente para nos importarmos com eles, fazendo com que o espectador chegue a torcer pelo Megalodon.

Jason Statham está interpretando o mesmo personagem que sempre faz em todos os filmes, mas ao invés dele enfrentar pessoas ele luta contra um tubarão gigante. Ele é um herói badass com um trauma no passado, mas que não afeta sua coragem, sendo reconhecido por todos como louco.

Um dos destaques no elenco são Li Bingbing e sua filha, que são as que mais apresentam carisma. O resto do elenco é subaproveitado pelo roteiro, se tornando apenas mais alguns que serão mortos pelo monstro, como acontece em filmes de terror. Porém, alguns chegam irritar pela estupidez ou por fazer piadas fora de hora, se tornando chatos ao invés de engraçados, como é o caso Rainn Wilson, que interpreta o investidor da pesquisa submarina.

Megatubarão chama atenção pelas sequências de ação e na construção dos momentos de tensão, mas deixa a história em segundo plano trazendo personagens superficiais e um roteiro raso. Ele funciona como um entretenimento escapista, sendo uma boa opção entre os fãs de blockbusters.

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