O ano de 2019 mal começou e já temos o primeiro representante do gênero terror nos cinemas. Com uma trama que se passa inteiramente em uma locação – um manicômio, como o título adianta – e focado em um grupo de youtubers fazendo desafios no local, a produção alemã falha em assustar o público.

O longa é todo filmado através das câmeras de seus personagens, o que passa a ideia de amadorismo com a tremulação, perda de foco e desenquadramento dos planos. Porém, com o tempo, a sensação que temos é de que a saída não foi apenas estética, mas por falta de recurso, o que diminui sua qualidade. Isso também é reforçado pela montagem, que não é muito inventiva, apenas ligando uma cena a outra com cortes secos, às vezes até mesmo desconexos.

Um dos maiores problemas de O Manicômio está em seus personagens, que são prejudicados pelo roteiro, tratados de maneira muito superficial. Em qualquer filme, principalmente deste gênero, é importante que o espectador sinta algum tipo de empatia pelos protagonistas e torçam por eles. Uma das poucas tentativas está na personagem Marnie (Sonja Gerhardt), mas que não é desenvolvida o suficiente para isso. As relações que são criadas também não convencem e a atuação, muitas vezes exageradas, também não ajudam. No fim, quando as mortes começam a acontecer, não há o peso que deveria, seja por parte do público ou pelos próprios personagens.

O filme chega no Brasil apenas com cópias dubladas, o que talvez prejudique a experiência de alguns. Porém, a dublagem não é seu maior problema, a princípio difícil de se acostumar, mas que flui com o decorrer da história. Os dubladores até se esforçam para trazer uma linguagem mais jovem e cotidiana, com expressões usadas nas redes sociais como “top”, mas nem isso ajuda a criar uma relação com os personagens.

Um dos pontos positivos do filme está em sua ambientação, que é composta basicamente pelo manicômio em si. Ele passa a sensação de realmente ser um lugar abandonado e perfeito para os youtubers fazerem seus desafios, se tornando uma ótima escolha. Por outro lado, a atmosfera de terror não existe por conta dos personagens. Até mesmo quando os elementos assustadores passam a acontecer gradativamente, como em Atividade Paranormal, o público não é instigado como deveria. O problema está na forma como essas cenas são filmadas, prejudicando o entendimento do que acontece. Temos uma falta de iluminação, prejudicada pelo trabalho da fotografia – praticamente inexistente – além do recurso da visão de calor, que mais atrapalha do que ajuda.

Como se não bastassem seus problemas particulares, O Manicômio também comete os mesmos erros de muitas outras produções do gênero, como personagens extremamente burros, jumpscares óbvios que não funcionam em nenhum momento e a tentativa de replicar um estilo, de maneira falha.

Com o tempo, O Manicômio revela que seu objetivo na verdade é fazer uma crítica aos jovens de hoje em dia, que vivem conectados no celular e fazem de tudo pela fama, sendo representados pelos youtubers do filme. Porém, mais uma vez o roteiro falha com isso, pois esse pensamento não é mostrado, e sim literalmente dito pelos personagens de forma vazia e rasa.

Se aproximando do fim, há um plot-twist que deixa de lado a dinâmica até então apresentada e se mostra promissora. Entretanto, ele também não funciona, se perdendo ao tentar consertar as coisas quando já eram tarde demais. Talvez seria melhor se o filme não perdesse tempo tentando repetir algo que não é e seguisse por esse segundo caminho desde o início.

O Manicômio conta com um roteiro pretensioso, tentando criticar uma geração, mas falha em todos os sentidos, contanto uma história que não faz o espectador refletir sobre o que é exposto. Como filme de terror, ele é fraco a ponto de fazer o público rir nas cenas em que deveria ficar assustado. Apesar de ser apenas o primeiro do gênero no ano, há grandes chances de ser um dos piores.

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