Sabe quando uma franquia começa a mudar de estilo para ganhar bilheteria? Filmes de terror que não dão medo, momentos de tensão cortados por piadas infames. Esse é o infeliz caso de O Predador.

A história gira em torno de um atirador de elite que luta contra o predador e rouba partes de sua armadura. Tentando esconder seu saque do governo americano, ele envia essa tecnologia alienígena para casa, mas seu filho acaba ativando um sinalizador que traz a criatura para o subúrbio americano.

A tão aguardada sequência – que prometeu continuar a trama iniciada há trinta anos pelo soldado americano Dutch (Arnold Schwarzenegger), voltando às raízes do suspense, ação e ficção científica – continua a história dos originais, mas foge ao tema proposto pela franquia. O diretor Shane Black, conhecido por seus filmes de policial e um humor irreverente, deixa sua marca cômica em O Predador, mas acaba estragando o clima por causa disso.

O roteiro começa promissor, se segurando muito mais na ação e ficção científica do que na comédia, mas se perde completamente depois do primeiro arco. As soluções engraçadas para momentos-chave da história tiram a tensão do público e desvia o foco da ameaça que é o predador. As piadas, que aparecem moderadamente nessa parte inicial, encharcam o resto do filme de uma forma muito parecida como em Todo Mundo em Pânico, quebrando a emoção de vários momentos com um humor mórbido.

Nenhum personagem tem uma motivação forte, exceto o protagonista. A quantidade de coadjuvantes faz com que muitos deles pareçam caminhar para o perigo só para ver no que vai dar, ou porque foram desafiados. O longa também tenta inovar com pequenas subtramas, como uma possível catástrofe ambiental, evolução forçada e a salvação da raça humana, mas nenhuma é devidamente explorada e são deixadas de lado no decorrer do filme.

O elenco é muito bom, mas nenhum personagem consegue criar uma ligação com o público. O protagonista Quinn McKenna (Boyd Holbrook), seu filho Rory McKenna (Jacob Tremblay) e a cientista Casey Bracket (Olivia Munn) são, de longe, as pessoas que seguram o filme. Os coadjuvantes soldados Nebraska Williams (Trevante Rhodes), Coyle (Keegan-Michael Key), Baxley (Thomas Jane), Lynch (Thomas Jane) e Nettles (Augusto Aguilera) e a ex-mulher do protagonista Emily (Yvonne Strahovski, conhecida no meio Sci-Fi pela personagem de Mass Effect, Miranda Lawson) servem mais como alívio cômico do que peças realmente importantes para a trama.

Já o pseudo-vilão do governo Traeger (Sterling K. Brown) é o que mais falha em executar seu papel, aparecendo apenas para fazer uma piadinha aqui ou ali, mas sem desenvolver a história. Até mesmo o predador tem sua parcela de humor e gozação, o que tira toda e qualquer credibilidade do alienígena ameaçador.

No entanto, existem pontos muito bons no filme, mesmo não sendo suficientes para transformar a obra na sequência esperada pelos fãs. Os efeitos especiais são incríveis, conseguindo misturar maquiagem, fantasia e computação gráfica de uma maneira surpreendente, principalmente nas sequências de ação.

As cenas que os personagens interagem com o alienígena não apresentam falhas em momento algum, o que é um ponto positivo, visto que em alguns momentos, os monstros são feitos inteiramente por meios digitais.

A trilha sonora original de Alan Silvestri traz de volta toda a nostalgia do primeiro filme e compõe os momentos de tensão, medo, perseguição, luta e amor da história, sobressaindo dos efeitos sonoros graças a toda sua qualidade musical.

O Predador é a personificação do cinema de hoje em dia. A tensão e o suspense são substituídos por violência gratuita e muito humor, que transformam qualquer filme em uma comédia mórbida e explosiva. O investimento do estúdio é notado pela qualidade de efeitos, música e atuação, mas a proposta do roteiro não condiz com o que é esperado da franquia. Como continuação, O Predador é um ótimo filme de comédia.

1 COMENTÁRIO

  1. […] Assim como Alien, o Predador também é outra criatura da década de 80 que fez muito sucesso e rendeu diversas continuações até os dias de hoje (tanto que os dois têm até filmes crossover). Depois de estrear em 1987, estrelado por Arnold Schwarzenegger, tivemos mais quatro longas até ser lançado um reboot em 2018. Com um roteiro fraco e uma trama confusa, o projeto não foi o suficiente para ressuscitar a franquia. Mesmo com um gancho no final, não há indícios de uma sequência. Confira nossa crítica completa clicando aqui. […]

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