Depois de sermos apresentados ao personagem em Guerra Civil, a expectativa para Pantera Negra não poderia estar baixa. Provavelmente você já deve ter ouvido falar que este é o filme mais político da Marvel, e isso não poderia ser diferente, pois estamos lidando com um super-herói que acima de tudo é líder de uma nação.

Pantera Negra segue os acontecimentos de Guerra Civil, após a morte de T’Chaka, Rei de Wakanda. Agora, o príncipe T’Challa precisa lidar com as responsabilidades, que são ainda maiores por ser um país africano escondido e altamente desenvolvido.

Primeiro de tudo, é importante destacar o quanto essa ideia é genial. Quando pensamos na África, não imaginamos países de primeiro mundo com um alto avanço tecnológico. Acompanhar os dilemas de uma nação como essa é muito interessante, principalmente porque o filme entra de cabeça nisso. Mas não se preocupe, ele passa longe de ser chato, cansativo ou difícil de entender. Na verdade, esse elemento se torna um atrativo para aqueles que gostam de acompanhar política internacional ou querem saber mais sobre o assunto.

Logo no início, conhecemos tudo que precisamos saber sobre Wakanda através de uma história didática de pai pra filho. Após isso, o filme se preocupa em nos apresentar graficamente este novo mundo, que só tivemos um pequeno vislumbre em Guerra Civil.

O design de produção é extremamente rico, misturando elementos tecnológicos e tribais através do figurino, ambientação e, principalmente, cores. Recentemente, acompanhamos a Marvel investir cada vez mais em filmes vivos e vibrantes, e aqui não poderia ser diferente, aproveitando o melhor de cores-pigmento para o segmento tribal e cores-luz para o segmento tecnológico.

E por falar em tribos, elas também são destacadas aqui. Pantera Negra realmente se aprofunda no universo do herói, incluindo rituais de combate, planos astrais e locações diversas em Wakanda, que vão desde o ambiente mais frio ao mais tropical, exaltando a beleza natural do país. A nação também ganha identidade pelo sotaque dos atores, um detalhe que faz muita diferença – por isso aconselho que assista legendado.

O T’Challa (Chadwick Boseman) que acompanhamos neste filme não age como um super-herói, mas realmente como um protetor de um país. Ele tenta manter o trabalho feito pelo pai, mas isso bate de frente com questões da tradição e da política de Wakanda. Seu principal contra-ponto é Erik Killmonger (Michael B. Jordan), que, por mais que pareça clichê dizer isso, não é um vilão comum. O personagem cria questionamentos para o público, já que suas motivações são completamente compreensíveis.

O principal objetivo deste filme é nos mostrar que o mundo real não é nem um pouco maniqueísta. Não existe certo ou errado, mas sim perspectivas diferentes. Pode ser que os fins sejam altruístas, mas, como acontece no longa, o meios não sejam corretos. Mais do que isso, outra discussão interessante que Pantera Negra traz está nos pontos de vista de uma mesma história. A omissão de informações pode transformar alguém em herói ou vilão, ou colocar toda uma nação em risco.

Não só os dois personagens principais, como todo o elenco está bem. É possível destacar Danai Gurira, que interpreta a principal Dora Milaje e protagoniza excelentes cenas de combate; assim como Shuri (Letitia Wright), que representa o lado intelectual de Wakanda, responsável pela armadura de T’Challa e outras invenções que agregam à trama. As duas são as principais forças femininas do longa, que certamente serão inspirações para outras mulheres.

Em certos momentos, até nos esquecemos que este é um filme da Marvel, principalmente por não forçar a todo momento o alívio cômico. Aqui, ele funciona de forma mais natural, partindo da personalidade dos personagens. Outro ponto positivo está na ausência de conexões com outros filmes, mesmo que o personagem tenha sido apresentado em Guerra Civil e o longa seja anterior à Guerra Infinita. Existe uma preocupação em apresentar Wakanda da forma certa e deixar clara a diferença de Pantera Negra com outros heróis, se tornando o filme mais diferente que a Marvel fez nos últimos anos.

Assim como o título diz, Pantera Negra é um filme necessário: Ele é necessário para a Marvel Studios nos mostrar que o gênero de super-heróis pode se reinventar a todo momento. Assim como é necessário ser visto por debater discussões políticas que acompanhamos nas manchetes dos jornais ou lidamos no nosso dia-a-dia. Ele se posiciona em diversos aspectos de forma explícita através de ações e falas dos personagens como: “Os sábios constroem pontes, os tolos constroem barreiras”.

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