A empresa de brinquedos LEGO – não satisfeita com o tamanho da sua popularidade – decidiu, em 2014, expandir ainda mais seu alcance a partir de uma ideia ousada: uma animação para os cinemas em grande escala. O projeto deu tão certo que rendeu uma sequência, além de derivados como Batman e Ninjago. Com isso, era apenas questão de tempo até que sua concorrente, Playmobil, também tentasse se aventurar por esse caminho, apesar do resultado não ser tão satisfatório.

Acompanhamos os irmãos Marla (Anya Taylor-Joy) e Charlie (Gabriel Bateman) em uma aventura pelos diversos mundos que a marca inclui. Tudo gira em torno da mensagem sobre não deixarmos nossa criança interior morrer, mesmo com todas as adversidades da vida. Porém, embora a premissa queira atingir o público adulto, esta temática não é desenvolvida o suficiente, se tornando rasa e com maior apelo às crianças.

O longa é composto por uma parte em live-action e outra em animação 3D, mas essas duas técnicas não estão bem integradas. Esses dois segmentos não parecem fazer parte da mesma história, havendo pouca conexão com o que foi apresentado inicialmente. Além disso, também vale mencionar uma certa pressa em estabelecer muita coisa nos minutos iniciais. Não há o devido tempo para o público sentir o que o projeto quer passar, resultando em um tom destoante. Provavelmente isso se deve à inexperiência do diretor Lino DiSalvo com atores reais. Com isso, ele não aproveita todo o talento de Taylor-Joy e Bateman.

Outro ponto que deixa a desejar é a parte musical, que é muito contida, quase não se assumindo como sendo desse sub-gênero. Isso fica ainda mais evidente no segmento live-action, que trabalha com planos fechados em uma locação interna, perdendo a empolgação que deveria ter. As canções durante a animação também parecem faltar emoção, sendo genéricas e pouco marcantes.

Os personagens contam com motivações bem definidas e simples, sendo pontuadas durante todo o filme. Isso faz com que eles pareçam unidimensionais, tanto os mocinhos quanto os vilões. Marla mostra que é capaz de tudo para resgatar o irmão mais novo, mas o vínculo entre eles não convence pela falta de química. Há boas ideias ao explorar a empolgação de Charlie ao se tornar um brinquedo viking poderoso, assim como a equipe improvável que forma com personagens diversos, apesar de não terem tempo de tela suficiente. Ainda há Del, que acaba ficando em segundo plano em meio a tantas propostas. Quem realmente rouba a cena é o espião Rex Dasher, que funciona como uma paródia de James Bond e outras produções clássicas do sub-gênero. Toda a sequência envolvendo o personagem funciona muito bem, mas é uma das exceções. Por fim, o vilão Imperador Maximus é esquecível e sem muita ambição.

A marca de brinquedos Playmobil é conhecida pela diversidade de mundos e isso está bem representado aqui. O longa passa por vikings, cowboys, dinossauros, piratas, aliens, além de apresentar cidades futuristas, castelos encantados e coliseus. A questão é que esses segmentos parecem existir apenas para somar como número e não substancialmente. Os diferentes cenários são apresentados ao público de forma superficial, sem muita imersão.

Essa animação da ON Animation Studios se destaca pela textura dos personagens, que realmente parecem ser feitos de plástico. Também é mantida as articulações dos brinquedos Playmobil, além de usar paisagens cartunescas e objetos que realmente são da empresa, como as clássicas prisões. Já o visual dos bonecos em si sofreu uma leve alteração para dar mais expressividade.

Playmobil – O Filme conta com boas ideias, mas a maioria não empolga. Tentar explorar tantos mundos ao mesmo tempo, sem que haja uma profundidade narrativa, acaba fazendo com que o público não se familiarize, tornando-os rasos. Assim, ele funciona apenas de forma operante, deixando em segundo plano o lado emocional. No fim, mais parece que é apenas uma jogada de marketing para divulgar os brinquedos e tentar competir com o LEGO. Aqui, nem tudo é incrível.

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