Em 2017, a Pokémon Company lançou nos cinemas japoneses Pokémon – O Filme: Eu Escolho Você. O projeto era focado na dupla Ash e Pikachu, explorando a amizade dos dois de maneira íntima e profunda. Já o novo longa da franquia, O Poder de Todos, conta com uma proposta diferente, dando mais foco para personagens inéditos.

A história se passa na cidade de Fula, durante o Festival do Vento. Toda a ambientação do parque conta com ideias criativas, sempre ligadas ao universo de Pokémon. Tudo é muito colorido e bonito visualmente, com conceitos que poderiam até mesmo ser aplicados na vida real, desde os brinquedos temáticos até os alimentos vendidos nas barracas.

Toda a trama gira em torno dos novos personagens, onde cada um precisa lidar com um dilema ou superar alguma dificuldade. Kalil é um homem que vive contando mentiras sobre si mesmo para impressionar sua sobrinha; Rita é uma corredora que, após uma lesão, se sente insegura; Tiago é um pesquisador competente, mas tímido; Cláudia é uma senhora que odeia Pokémon por conta de algo que aconteceu no passado; e Margareth é filha do prefeito e esconde um segredo de todos na cidade. Essas adições no elenco são carismáticas o suficiente para conduzir a história mesmo sem a presença de Ash, com potencial para serem explorados na série regular. Suas questões são resolvidas através do poder da amizade entre pessoas e Pokémon, artifício usado muitas outras vezes, mas ainda razoável dentro da proposta.

Na trama, os monstrinhos carregam muita personalidade, mesmo que tenham uma linguagem limitada. A interação com os humanos e suas expressões são o que chamam atenção, principalmente Pikachu e Sudowoodo. Também somos apresentados a um novo lendário, Zeraora, mas ele acaba sendo uma presença esquecível e pouco marcante quando comparado a outros raros.

Enquanto a primeira parte da animação conta com um ritmo melhor, o clímax se torna longo e com momentos mais expositivos. Também há uma tentativa de criticar a exploração dos recursos naturais como forma de enriquecer, mas isso é feito de maneira literal demais, subestimando o público.

Produzido em colaboração com os estúdios OLM e Wit Studio, é possível notar uma atualização no design dos personagens, que os deixam com um visual fofo e infantil, conversando com a característica da franquia, voltada para um público mais jovem. O destaque fica para o uso do CGI, que está muito bem integrado com a animação 2D, resultando em sequências mais dinâmicas e com movimentos de câmera ousados. A computação gráfica também está presente nos combates, tornando os golpes mais impactantes, como já acontece na série.

Graças à personagem Rita – a iniciante neste universo, o longa ainda funciona como porta de entrada para um novo público, pois explica conceitos básicos, como o uso de itens e a captura de um Pokémon. As explicações são feitas de maneira bem didática e muito convidativa.

O Poder de Todos pode não ser a melhor animação da franquia nos últimos anos, mas é competente em apresentar rostos inéditos e atrair um novo público. Ele conversa com outras mídias, principalmente os jogos, e não deixa de lado a essência da série, que é a amizade entre pessoas e Pokémon.

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