Conhecido por muitos como o arqueiro que rouba dos ricos para dar aos pobres, Robin Hood é uma das lendas mais famosas da Inglaterra, o que lhe rendeu adaptações para diversas mídias como quadrinhos, TV e cinema. Agora, o filme de Otto Bathurst promete mostrar a origem desse personagem mítico, trazendo uma versão mais jovem em um blockbuster com muita energia.

Conhecido por seus trabalhos em séries – como o primeiro episódio de Black Mirror, “The National Anthem” – este é o primeiro longa-metragem de Bathurst. Ele consegue replicar a fórmula de Hollywood que também pode ser vista em Rei Arthur: A Lenda da Espada, de Guy Ritchie. O longa tem como proposta ser uma história medieval moderna, trazendo uma linguagem mais acessível ao grande público.

Na trama, o jovem lord Robert Locksley (Taron Egerton) é obrigado a lutar em uma grande Cruzada, mas é dado como morto durante o confronto. Após sobreviver, ele aproveita a oportunidade e aceita a proposta de John (Jamie Foxx) para liderar uma revolução contra o Xerife de Nottinghan (John Mendelsohn), roubando sua riqueza e dando aos pobres, trabalhando nas sombras como Robin Hood.

Apesar de ser estranho retratar o período das Cruzadas com soldados usando arco e flecha e suas variações como arma principal – ao invés de espadas – o uso deste artifício é muito bem explorado e se mostra suficiente dentro daquela lógica. Em uma sequência temos a retratação de uma grande guerra que, apesar de usar apenas este instrumento, conta com o mesmo poder de uma arma de fogo, por exemplo. Apesar de ilógico, isso torna o filme brutal e impactante, principalmente junto da montagem dinâmica e trilha sonora ritmada e frenética de Joseph Trapanese.

Além disso é interessante as variadas formas como o arco e flecha é utilizado, buscando formas inventivas de se diferenciar entre outros arqueiros famosos do cinema, como Legolas (O Senhor dos Anéis), Gavião Arqueiro (Vingadores) e até mesmo Katniss Everdeen (Jogos Vorazes). Robin Hood não fica atrás desses personagens, tornando até mesmo uma simples cena de treinamento algo empolgante e intenso.

Um dos principais destaques no elenco é Jamie Foxx, que traz muita energia para o filme vivendo o mentor de Robin Hood. Além de ter um arco de vingança convincente e uma boa motivação, sua atuação torna seu personagem muito badass, chegando a roubar a cena diversas vezes. Porém, ele também é marcado por frases prontas de efeito que se tornam repetitivas com o tempo e não passam a ideia de um ensinamento, como deveria ser. É o caso de “A gente puxa o rabo e vê quem grita”.

Taron Egerton vive o clássico protagonista que quer fazer o certo e luta pela justiça, mas seu personagem se torna mais interessante a partir do momento em que se torna o Robin Hood e passa de lord para ladrão. Mesmo com seu capuz característico e o rosto coberto, ainda podemos notar detalhes na expressão do ator como raiva e dor.

Muitas vezes, o personagem lembra bastante um super-herói, pois precisa esconder sua identidade secreta para continuar agindo como um vigilante e não colocar as pessoas que se importa em perigo. Além disso, também é ótimo acompanhar sua aproximação do vilão Xerife, usando sua influência. O que não funciona é a relação com seu interesse amoroso Marian (Eve Hewson), que curiosamente é a única mulher no elenco principal.

Apesar de manter um vínculo da sua antiga vida como lord ser uma boa ideia, a execução não funciona pela falta de química do casal. E pior ainda é o triângulo amoroso criado com Will (Jamie Dornan), que repete sua atuação em Cinquenta Tons de Cinza e toma decisões sem justificativa.

O Xerife de Nottinghan (John Mendelsohn) conta com um clássico problema já visto em outros vilões, em que muito é dito mas pouco feito. O ator convence ser alguém cruel e tirano, mas ele não comete esses atos. Na maioria das vezes ele está apenas ameaçando seus inimigos, o que não é suficiente.

Este não é um daqueles filmes medievais com muitos diálogos, enrolação e pouca ação. Ela está presente a todo momento, criando uma boa movimentação na trama. Além disso, os alívios cômicos não estão exagerados e funcionam na maioria das vezes, com destaque para o Frei Tuck (Tim Minchin).

Robin Hood – A Origem conta com todos os clichês de um blockbuster, mas é um ótimo filme pipoca para se assistir com a família. Porém, ele comete um erro em não concluir sua história, que termina com um gancho para uma sequência que não precisamos, se tornando apenas uma desculpa para criar uma franquia.

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