Uma coisa é certa: Liam Neeson não sabe perdoar. Depois do sucesso com a franquia Busca Implacável, o ator ficou conhecido por estrelar filmes de suspense ou ação que costumam envolver vinganças – e estrelou bons filmes, como Sem Escalas e O Passageiro. Agora, seu trabalho mais recente conta novamente com a mesma fórmula, mas com um tom diferente, resultando em um de seus filmes mais fracos dos últimos anos.

Vingança a Sangue Frio é remake do filme norueguês Cidadão do Ano, de 2014, ambos dirigidos por Hans Petter Moland. Na trama, o removedor de neve Nelson Coxman (Liam Neeson) descobre que seu filho morreu de overdose, apesar de não ser um viciado. Por isso, ele começa uma busca pela verdade e acaba se envolvendo em uma guerra entre gangues.

Apesar do marketing estar vendendo o filme como um drama/suspense, na verdade ele se trata de uma comédia de humor mórbido. Alguns recursos cômicos até funcionam e fazem sentido dentro da proposta, principalmente os situacionais. Isso acontece pois temos uma quebra de expectativa, parecendo uma sátira de dramas policiais. Um dos elementos mais divertidos é a inserção de uma cartela preta com uma cruz quando algum personagem morre, variando dependendo da religião.

Porém, a maioria das piadas são de mau gosto e, na maioria das vezes, preconceituosas, apelando para estereótipos. Um exemplo é Ahn (Elizabeth Thai), que interpreta uma chinesa estressada. Ainda há todos os índios da gangue liderada pelo Búfalo Branco (Tom Jackson). Outro problema está em reduzir a dramaticidade que alguns momentos pedem, como quando Nelson vai reconhecer o corpo do filho morto.

Além disso, o roteiro do filme muitas vezes se mostra preguiçoso e repetitivo, principalmente quando o protagonista começa sua busca por vingança. Nós acompanhamos ele indo atrás de várias pessoas, uma por uma, e isso se torna cansativo já na terceira vez, apesar de serem situações diferentes. Isso também revela outros dois problemas: a falta de ritmo e a longa duração, mais perceptível no último ato. É como se o filme enrolasse durante sua trama bagunçada, sem saber exatamente para onde quer ir. E para piorar, mesmo que o protagonista tenha um arco fechado, outros personagens são esquecidos.

Vingança a Sangue Frio foca no confronto direto entre Nelson e o vilão Viking (Tom Bateman) e conta com dezenas de outros personagens descartáveis e desperdiçados. Entre eles, temos Grace Coxman (Laura Dern), que some ainda na primeira metade do filme sem um motivo aparente, além de vários gangsters com apelidos, que aparecem por poucos minutos até serem mortos. Alguns deles chegam a receber um background e sub-tramas, mas a maioria é gratuita e sem grande importância narrativa. Uma das poucas personagens boas é Kim Dash (Emmy Rossum), que interpreta a única policial competente da cidade e tem bons diálogos com Gip (John Doman).

Viking não poderia ser mais caricato do que é, dando “chiliques” desnecessários e fazendo comentários burros. Liam Neeson, por outro lado, está bem como sempre, interpretando o mesmo personagem que faz em seus outros filmes de ação/suspense. É possível até sentir medo dele pela forma como age diante das pessoas, que possivelmente mataram seu filho.

Com tantos pontos negativos, Vingança a Sangue Frio fica parecendo apenas mais uma chance de Hollywood “americanizar” um sucesso de outro país, como aconteceu com Amigos Para Sempre. Neste caso, nem a atuação de Liam Neeson e o próprio diretor do original conseguiram salvar o projeto.

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