Um vilão que quer virar herói. Essa foi a proposta que a Disney decidiu trazer lá em 2012, com o ótimo Detona Ralph. Nessa animação, o foco era na nostalgia dos jogos arcade e as participações de clássicos personagens. Agora, a sequência WiFi Ralph decide ir por um viés mais atual: explorar a internet, colocando nosso protagonista em um ambiente completamente desconhecido, mas que é comum para o público.

Seis anos após os eventos do primeiro filme, Ralph e Vanellope se tornaram amigos inseparáveis que convivem em harmonia entre os jogos. Entretanto, após um acidente no Corrida Doce, o jogo dela é desligado deixando todos os corredores sem um lar. Para alegrar a amiga, Ralph então decide levá-la para conhecer o wifi, que logo ambos descobrirão se tratar do mundo online.

Com a web em destaque, o universo dos jogos é deixado de lado. Tanto que aqui, os personagens Félix e Cal se tornaram bem secundários – ganhando apenas um arco até engraçado, porém descartável e que não acrescenta em nada. A premissa em si é até parecida com o que aconteceu anteriormente. É na maneira como é desenvolvida e na mensagem que os roteiristas Phil Johnston e Pamela Ribon entregam uma boa história.

WiFi Ralph é mais uma animação da Disney que, por trás das piadas e das cores, no fundo traz um significado. Neste caso, trata perfeitamente sobre o valor da amizade e relacionamento abusivo. A parceria entre Ralph e Vanellope é o que move a narrativa, proporcionando ao público uma identificação instantânea com a jornada dos personagens e suas atitudes. Eles já aprenderam muito, mas se deparam com situações novas para lidar e que os fazem repensar a sua existência. As duas questões que o roteiro desenvolve para Ralph são inesperadas, principalmente pelo paralelo que cria com a nossa realidade.

Assim, o ápice do filme é quando a dupla chega na internet. Idealizada como uma grande cidade, esse universo é vasto e muito criativo em termos de conceitos, sempre nos fazendo rir ou apontar para algo do nosso conhecimento, como o Twitter, Snapchat e Instagram. Muitas das ideias podem ser comparadas com Emoji: O Filme (2017), só que é visível o esforço e cuidado da equipe em trazer algo mais trabalhado e definido – como o jeito dos usuários se locomoverem no jogo Slaughter Race. São tantos detalhes geniais apresentados, que é impossível listá-los. É preciso assistir pra aproveitar ao máximo.

E não tem como não falar da cena das princesas. Vê-las todas juntas, em um único lugar, é um momento icônico e divertidíssimo – a dinâmica nos faz querer um filme só delas. O mais interessante é que a participação das princesas não é mero easter egg. Elas passam uma lição para Vanellope, e vice-versa, que é essencial para a narrativa da personagem. Aliás, toda a sequência que envolve o site Oh My Disney! é sensacional, sendo um verdadeira homenagem ao estúdio e trazendo participações inesperadas – incluindo o Stan Lee.

A dublagem brasileira também precisa ser elogiada, inserindo nos diálogos gírias, trocadilhos e termos comuns do nosso país. Isso pode parecer algo irrelevante porém, dessa forma, a animação traz mais conexão com seus espectadores. A escolha de vozes, mantidas do original, nos soa familiar e podendo reconhecer aqueles personagens. Para o público infantil, isso é de extrema importância.

WiFi Ralph – Quebrando a Internet surpreende, já que é uma sequência que ninguém esperava. Com sua profunda mensagem, conceitos criativos no roteiro e personagens carismáticos, a diversão e ótimas lições são garantidas para o público. Mais uma animação de qualidade do estúdio do Mickey.

P.S: existem duas cenas adicionais. Uma no meio dos créditos, que é simplesmente hilária, e outra lá no final fazendo uma brincadeira com o público, que vale a pena esperar para assistir.

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