Lançado em 2016 nos cinemas japoneses, A Voz do Silêncio finalmente chegou na Netflix, se tornando uma ótima chance de receber a visibilidade que merece. Ele é um dos filmes de anime mais bem avaliados pelos críticos nos últimos anos, ao lado de Your Name. Entre os motivos está a sensibilidade do diretor Naoko Yamada em contar esta história. A trama tem como personagem principal Ishida, um jovem que pratica bullying com uma garota surda quando era criança, mas que começa a mudar de atitude quando a reencontra no ensino médio.

Assim como a maioria dos animes, A Voz do Silêncio aborda, de certa forma, a amizade, mas de uma maneira muito mais sensível. Enquanto é comum vermos o companheirismo e o trabalho em equipe como tema vigente, aqui o foco são as relações interpessoais, o problema que elas podem causar e como cada um reage às adversidades.

Nós acompanhamos a maioria dos personagens desde a infância, fazendo com que sua construção de personalidade tenha nuances e evoluções. O próprio protagonista é um exemplo disso: a princípio você pode sentir raiva dele, mas aos poucos entende seus verdadeiros sentimentos, sendo guiado para a redenção e o perdão.

Mesmo que o personagem principal tenha muita presença e seja o condutor de toda trama, é Nishimiya quem rouba a cena. Sua deficiência é tratada com muita delicadeza, sendo praticamente impossível o público não sentir empatia por ela. A abordagem é feita com muito cuidado e respeito, mas também com coragem por tocar em pontos fortes de forma explícita, até mesmo para uma animação.

Os outros personagens também são importantes para conduzir a história, apresentando personalidades distintas e bem desenvolvidas ao longo da trama, com uma notável evolução de seu modo de agir e pensar. Até mesmo os trejeitos dos personagens são humanamente críveis, aproximando-os do público pelas suas peculiaridades.

A animação é do estúdio Kyoto Animation, conseguindo novamente deixar sua marca de qualidade. Os traços continuam com a característica já conhecida, mas a fluidez dos movimentos e o plano de fundo conseguem se sobressair, deixando o universo da trama mais rico e criando uma boa atmosfera. Em muitos momentos é possível compará-lo a um filme live-action, seja pela montagem ou o modo dos personagens agirem, ressaltados pela ausência de aspectos cartunescos.

Sua história conta com uma riqueza de veracidade a ponto de já ter acontecido na vida real. As situações pelas quais os personagens passam são tão cotidianos que poderiam ter acontecido com qualquer um. O bullying é retratado explicitamente, e suas consequências vão ganhando uma dimensão tão grande que chega a abordar o suicídio. O filme mostra como podemos ferir o outro sem percebermos, além de que nunca é tarde para pedir perdão.

A Voz do Silêncio merece todos os prêmios que já recebeu pela execução em representar o tema abordado, onde os personagens são imperfeitos como qualquer um de nós, deixando sua jornada de aprendizado ainda mais interessante. Ele gera o impacto necessário, sensibilizando o espectador por meio de uma reflexão que todos nós devemos fazer.

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