Reconhecido pelo Rotten Tomatoes, o site de críticas mais influente pelos fãs da cultura pop, como um dos filmes de super-herói mais bem avaliados, muitos se perguntam a que se deve esse sucesso. Os filmes da DC Comics vêm recebendo notas baixas há algum tempo, mas agora que as coisas mudaram, a quem devemos atribuir o mérito?

Mulher-Maravilha é um filme de origem, e nesse ponto cumpre muito bem seu papel. Introduzindo a personagem desde sua infância, toda mitologia por trás da heroína funciona, justificando até mesmo pequenos detalhes, como sua própria armadura e equipamentos.

As amazonas têm um papel fundamental na história, e suas sequências de ação se destacam pelos seus saltos e piruetas no ar, além do trabalho em equipe, definindo um estilo próprio de luta. Mesmo que elas não sejam o foco da trama, conseguimos sentir empatia pelas personagens devido ao laço que se cria com Diana, tornando ainda mais dramática sua saída para uma terra desconhecida.

Quando chegamos a Londres é perceptível a mudança do ambiente de uma paleta de cores viva e colorida para uma cinzenta e com menos brilho. O contraste entre esses dois mundos serve para impactar ainda mais os efeitos da guerra em oposição à paz que reinava sobre Themyscira.

Gal Gadot convence como uma protagonista ingênua, mas com a determinação de querer salvar o mundo. Ela interpreta uma personagem forte tanto na força quanto na personalidade, o que também reflete no seu lado feminista. A trilha sonora que esteve presente em Batman v Superman está de volta, e mesmo de forma menos marcante ainda tem seu impacto.

Embora sua força física tenha grande destaque aqui, suas cenas de ação exploram todas as suas armas, incluindo o laço da verdade e seus braceletes, que têm grande importância. Mesmo assim, ainda há um uso exagerado de câmera lenta, que se tornou a marca registrada de Zack Snyder.

O plano de fundo da época é perfeito para trabalhar alguns pontos defendidos pela personagem, como a luta por direitos iguais entre homens e mulheres. Nada aqui é feito de forma extrema, e suas contestações são pertinentes, servindo de engajamento para a trama e nunca de forma gratuita.

A relação da heroína com Steve Trevor é a mais bem trabalhada, rendendo ótimas cenas desde o momento em que se conhecem. A estranheza por viverem em mundos diferentes evolui para um companheirismo, até chegarmos em um romance. Inclusive, o próprio Steve conta com seu próprio arco, que cresce junto com a protagonista. Por outro lado, sua equipe não recebe o mesmo tratamento, e mesmo tendo mais tempo em tela que as amazonas, poderiam ter uma importância maior na história.

Por incrível que pareça, Mulher-Maravilha​ ainda é um filme engraçado. Muitas das piadas acontecem pelo choque de cultura iminente, mas elas são dosadas no ponto certo. Por conta disso, o drama e a seriedade não são abafados por esses momentos de alívio cômico, existindo apenas como um respiro entre eles. Não acontece o mesmo como nos filmes da Marvel, por exemplo, onde o herói faz piadinhas no meio do confronto.

Por outro lado, algo que deveria ser mais bem trabalhado aqui são os vilões, que se mostram maniqueístas demais. A Doutora Veneno e o General Ludendorff fazem maldade apenas por fazer, sem nenhuma tentativa de justificar seus atos cruéis ou qualquer tipo de motivação convincente.

Já o vilão principal da história, Ares, conta com uma reviravolta na trama e uma influência interessante, mas sua presença decepciona. Por conta dele, o terceiro ato do filme, além de ser mais longo do que precisava, é o mais fraco. O embate entre os dois não segue o nível que estava sendo proporcionado, além do conflito ser resolvido seguindo o mesmo erro dos outros filmes de super-heróis.

Mulher-Maravilha se difere dos outros lançamentos do universo da DC nos cinemas, e essa mudança de tom fez bem ao estúdio. A história abre parênteses aos acontecimentos que tivemos até agora e também serve para criar uma maior empatia da personagem com o público. Definitivamente Gal Gadot é a Mulher-Maravilha, e mesmo com alguns problemas, é o melhor filme protagonizado por uma heroína até agora.

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