Nesta sexta-feira (06), a Netflix lotou a Grande Sala Petrobras, no Rio2C – Rio Creative Conference, com um painel focado em produções da América Latina. Rita Moraes, produtora executiva das séries Samantha! e Sintonia, mediou a conversa com Pedro Aguilera, criador da série 3%; Felipe Braga, criador da série Samantha! e Natasha Ybarra-Klor, criadora da série mexicana Ingobernable.

3% estreou em novembro de 2016 no serviço de streaming e terá sua segunda temporada exibida no fim do mês. Pedro Aguilera comentou sobre como a série, mesmo sendo brasileira, dialoga com questões globais:

“Eu acho que por ser futurista, por ser uma distopia, ele lidava com questões que são globais, de distribuição de renda e de exclusão, que é uma coisa que dá pra dialogar muito fácil. É talvez, na nossa opinião, o maior problema do Brasil, mas também é o maior problema de muitos lugares do mundo. Então eu acho que isso também ajudou as pessoas a se identificarem com essas questões e entenderem de cara o sentimento do tema da história”.

Com a nova temporada da série, Pedro Aguilera disse que a recepção influenciou na criação, mas não 100%, mantendo algumas ideias que a equipe tinha desde antes de estrear a primeira temporada:

“A gente já queria que a segunda temporada fosse diferente da primeira e que não se repetisse dramaticamente. Queríamos expandir o universo indo mais pro Maralto, indo mais pro continente, então isso tudo se manteve. A gente fez os maiores esforços possíveis para suprir os defeitos e reinvestir nas qualidades que a gente julgava que a série tinha na primeira. Foi tão difícil quanto, mas ao mesmo tempo com uma pressão a menos.”

Samantha! será a primeira série brasileira de comédia da Netflix, com estreia prevista ainda para 2018. Na trama, a protagonista, interpretada por Emmanuelle Araújo, é uma ex-celebridade dos anos 80 que tenta voltar a ser uma estrela. Serão sete episódios disponibilizados mundialmente, e o criador Felipe Braga comentou sobre a pressão narrativa de escrever uma comédia para um serviço de streaming. Segundo ele, as pessoas deixaram de assistir um episódio por semana com arcos fechados para ver uma temporada inteira em duas noites:

“Isso faz com que a gente deseje ver, no caso de uma série cômica, um desenvolvimento de personagem que puxe um pouco para o dramático e para o tipo de evolução que o personagem dramático tem em termos de uma motivação clara no começo, que vai encontrando obstáculos e, finalmente, uma superação”

Ingobernable é um drama político mexicano que estreou mundialmente no ano passado e foi renovada para a segunda temporada. Natasha Ybarra-Klor comentou sobre a recepção, que define como uma experiência única:

“Uma coisa incrível sobre a Netflix é que o mundo todo assiste ao mesmo tempo e esta é uma experiência singular em como as pessoas estão reagindo, seja na Coréia ou no México”.

Natasha também lembrou da revolução que a Netflix está fazendo no México, dando oportunidade para mulheres, como ela, colocarem sua visão na tela. De acordo com ela, o mesmo acontecia com as protagonistas femininas no ocidente, que não eram protagonistas de fato. Por conta disso, ela decidiu trabalhar, em Ingobernable, a forma como as protagonistas femininas deveriam agir.

Rio2C – Rio Creative Conference acontece entre os dias 3 e 8 de abril na Cidade das Artes, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

 

 

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