Com o lançamento dos últimos trailers de Homem-Aranha: De volta ao lar, percebi que praticamente o filme inteiro já estava ali, então decidi montar toda a narrativa, de forma cronológica, a partir das cenas que já foram reveladas.

Recolhi 13 minutos de material do filme que achei pela internet e comecei a decupar, como um quebra-cabeças, de que forma elas se encaixavam. Montei mais de quinze categorias do tipo: “Peter no colégio”, Homem-Aranha de noite com a roupa que Tony fez”, “Homem-Aranha de noite com a roupa que ele mesmo fez”, “Washington”, “Navio”, entre outras.

Depois de ainda discutir com outras pessoas como os acontecimentos fariam sentido na história, comecei a editar o vídeo do que seria a versão cronológica com todos os trailers revelados até agora. Naquele momento, com todo o conhecimento que eu tinha, parei pra pensar se eu realmente queria saber tudo aquilo antes de ver o filme.

Mesmo que não tenha sido revelado nenhum tipo de spoiler, saber muito sobre a história pode estragar a experiência. Talvez as pessoas não quisessem saber sobre isso, e faz muito sentido.

Quando procuramos informações sobre a história de um filme antes de assistí-lo, acabamos deixando de nos surpreender, estragando nossa experiência cinematográfica. Podemos dizer que matamos a novidade pelo simples fato de não aguentarmos esperar para descobrí-la.

Ultimamente, os trailers estão mostrando mais do que deviam, como em Batman vs Superman que revelou o visual do Apocalypse, a aparição da Mulher-Maravilha, e praticamente toda luta entre os dois protagonistas. Eles deveriam seguir o exemplo de Star Wars, que revela quase nada do roteiro, ou Mulher-Maravilha, que nem mostrou o visual do vilão.

De um lado estão os produtores, que querem vender o filme de qualquer forma, e tentam chamar a atenção do público divulgando informações importantes para a narrativa; e do outro, o espectador que busca todas as informações que puder para ficar por dentro de tudo.

Os produtores desse tipo de conteúdo acabam dando um tiro no próprio pé por entregarem mais do que o necessário antes do lançamento. Existem outras formas de divulgar um produto e deixar o público entusiasmado sem que comprometa a experiência do consumidor.

Mas não são só eles os culpados por isso, mas todos nós. Somos imediatistas, e por isso, queremos ter tudo o mais rápido possível sem medir esforços e nem as consequências. É por essa razão que assistimos todos os trailers lançados, procuramos informações vazadas na internet e até chegamos a ir atrás de spoilers.

Talvez essa seja a nova tendência no cinema, que pode prejudicar aqueles que preferem ter a experiência completa no filme. Agora, além de nos desviarmos dos spoilers fugindo das redes sociais, também temos que tomar cuidado com o que é divulgado pela própria produtora.

Você deve estar se perguntando: “e onde entra o hype nisso tudo?”. Para aqueles que se preocupam mais em se surpreender no cinema, o hype para o filme pode diminuir, tanto por já saber o que acontece, quanto por se decepcionar com o filme antes mesmo de assistir. Em contrapartida, também existem pessoas que não ligam de saber tudo antes, e até ficam mais animadas e seguras com o que esperar. Por isso existe essa divisão nas discussões da internet: entre as pessoas que reclamam pelos trailers mostrarem demais e as que reclamam por mostrarem quase nada.

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