Faltam pouco mais de 24 horas para a 92ª cerimônia de entrega dos prêmios Oscar, então já está mais do que na hora de fecharmos nossas apostas finais. Este ano, a premiação foi mais em cima da hora, mas, em compensação, as categorias principais nunca estiveram tão fáceis de se prever, levando em conta os resultados consistentes nos termômetros. Claro que surpresas sempre são possíveis – e muitas vezes contamos com isso para nossos preferidos ganharem -, mas, no final, há uma ciência por trás da coisa toda, então temos de nos manter minimamente fiéis a isso.

Algumas observações:

  • Em cada categoria, os concorrentes estão organizados por ordem de favoritismo na premiação (do que tem mais chances ao que tem menos).
  • As categorias “melhor filme internacional”,  “melhor cabelo e maquiagem”, “melhor curta-metragem (animação)” e “melhor curta-metragem (documentário)” estão sem a parte “deveria ganhar”, porque não pude ver todos os indicados, então não tive como opinar.
  • Gostaria de agradecer e recomendar o canal Dalenogare Críticas, do YouTube, por sempre trazer informações e análises muito importantes para a compreensão de diferentes cenários.

Agora, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

Melhor Filme:

1. 1917
2. Parasita
3. Era Uma Vez em… Hollywood
4. O Irlandês
5. Coringa
6. Jojo Rabbit
7. História de um Casamento
8. Adoráveis Mulheres
9. Ford V Ferrari

Vai ganhar: 1917
Pode ganhar: Parasita
Deveria ganhar: Parasita

1917 ganhou PGA, DGA, BAFTA e, de quebra, um Globo de Ouro de melhor drama – que pouco significa para o Oscar, mas não deixa de ser boa propaganda para os votantes. É, parece que essa corrida já tá definida. Ou… será que não? Há quem acredite numa virada para Parasita, o que seria o máximo. A favor da obra-prima de Bong Joon-ho, temos um SAG de melhor elenco, para o qual 1917 nem foi indicado.

Porém, por mais que o SAG de melhor elenco costume contar (dada a quantidade de atores na Academia), essa categoria não foi capaz de prever o vencedor do Oscar nos últimos dois anos. Tivemos Green Book sobre Pantera Negra, e A Forma da Água sobre Três Anúncios Para um Crime (e ambos os vencedores não tinham sido indicados ao SAG de melhor elenco também). Sem falar que 1917 chegou um pouco tarde para a apreciação dos sindicatos, justificando sua falta nesse e em outros termômetros. Então, digamos que o SAG pode não ser um divisor de águas desta vez também. Para Parasita, o simbolismo de sua vitória no Oscar, considerando sua aceitação universal e o fato de que seria o primeiro longa em língua não-inglesa a vencer, terá que bastar. Infelizmente, a barreira da língua ainda pode ser demais para setores mais conservadores da Academia.

Ainda há quem aposte em Era Uma Vez em… Hollywood, pelo simples fato de ser a grande homenagem de Tarantino ao cinema (e sabemos como a Academia gosta de premiar filmes sobre a própria indústria). Isso sem falar que pode ser a última chance de darem o prêmio de melhor filme ao cineasta, já que é seu penúltimo longa. Provavelmente eu também pularia nessa narrativa, se não fosse pelo fato de ter sido esnobado na categoria de melhor edição – que costuma contar bastante se você não for um projeto em plano-sequência como Birdman e, bom… 1917. Então, é basicamente isso. Qualquer possibilidade fora essas três seria uma grande surpresa – até mesmo Coringa e O Irlandês, que estão entre os mais prestigiados, com indicações para direção também.

Melhor Direção:

1. Sam Mendes (1917)
2. Bong Joon-ho (Parasita)
3. Quentin Tarantino (Era Uma Vez em… Hollywood)
4. Martin Scorsese (O Irlandês)
5. Todd Phillips (Coringa)

Vai ganhar: Sam Mendes (1917)
Pode ganhar: Bong Joon-ho (Parasita)
Deveria ganhar: Bong Joon-ho (Parasita)

O que posso dizer? O DGA dificilmente erra. Se errar, neste caso, pode ir para o segundo favorito a melhor filme, Bong Joon-ho, ou até mesmo Quentin Tarantino, se Era Uma Vez em… Hollywood estiver bem cotado mesmo. Até Martin Scorsese poderia dar uma sorte, considerando o investimento da Netflix na campanha de O Irlandês e o que o filme representa para a carreira do diretor (apesar do fator Netflix poder pesar contra também). Mas a verdade é que muito dificilmente Mendes não vai confirmar seu favoritismo aqui. O cara fez um (bom) filme de guerra em plano-sequência, e sabemos como isso conta para a Academia, considerando o sucesso de Birdman, há cinco anos atrás.

Melhor Ator:

1. Joaquin Phoenix (Coringa)
2. Adam Driver (História de um Casamento)
3. Antonio Banderas (Dor e Glória)
4. Leonardo DiCaprio (Era Uma Vez em… Hollywood)
5. Jonathan Pryce (Dois Papas)

Vai ganhar: Joaquin Phoenix (Coringa)
Pode ganhar: Adam Driver (História de um Casamento)
Deveria ganhar: Joaquin Phoenix (Coringa)

As categorias de atuação deste ano estão entre as mais óbvias. Os quatro favoritos ganharam SAG e BAFTA e, de quebra, o Globo de Ouro e o Critics’. Sendo assim, não tem muito o que especular. No caso de Phoenix, é também um dos atores mais talentosos de sua geração, que foi indicado quatro vezes e nunca ganhou (apesar de ter merecido muito por O Mestre). E num papel icônico – que já rendeu o prêmio para Heath Ledger -, num filme amplamente reconhecido nesta edição, com 11 indicações. Nenhum outro indicado é capaz de bater isso – e, convenhamos, é merecido. Muito do sucesso de Coringa se deve ao desempenho memorável de Phoenix – um dos melhores de sua carreira. Tem gente que gostaria de ver Adam Driver ganhando, e é compreensível, já que sua atuação em História de um Casamento é muito impressionante também. Mas uma aposta nele, a essa altura, está mais para wishful thinking. Não tem teorias suficientemente convincentes para tirar o prêmio das mãos de Phoenix.

Melhor Atriz:

1. Renée Zellweger (Judy)
2. Scarlett Johansson (História de um Casamento)
3. Saoirse Ronan (Adoráveis Mulheres)
4. Charlize Theron (O Escândalo)
5. Cynthia Erivo (Harriet)

Vai ganhar: Renée Zellweger (Judy)
Pode ganhar: Scarlett Johansson (História de um Casamento)
Deveria ganhar: Charlize Theron (O Escândalo)

Com relação aos termômetros da temporada, os argumentos já foram colocados no último item. No caso de Zellweger, podemos adicionar também o fato dela estar fazendo uma figura emblemática de Hollywood, da forma caricata e carismática que os votantes gostam de premiar. É um filme moldado para isso, e conta ainda com uma história de retorno triunfal para Zellweger, que já ganhou na categoria de coadjuvante por Cold Mountain, há quase vinte anos atrás.

Dando zebra, eu apostaria na Scarlett Johansson, pela sua presença assídua ao longo da temporada, por estar num dos poucos indicados a melhor filme da categoria (a outra é Saoirse), e pela demonstração de prestígio entre a Academia por estar indicada por dois projetos na mesma edição. Mas o trabalho que mais me impressionou mesmo foi o de Charlize Theron pelo mediano O Escândalo. Ela eleva o filme com sua personificação perfeita de Megyn Kelly, que vai muito além da maquiagem. O tom de voz, a fisicalidade, o olhar… tá tudo ali. Chega a ser assustador.

Melhor Ator Coadjuvante:

1. Brad Pitt (Era Uma Vez em… Hollywood)
2. Al Pacino (O Irlandês)
3. Joe Pesci (O Irlandês)
4. Tom Hanks (Um Lindo Dia na Vizinhança)
5. Anthony Hopkins (Dois Papas)

Vai ganhar: Brad Pitt (Era Uma Vez em… Hollywood)
Pode ganhar: Al Pacino (O Irlandês)
Deveria ganhar: Brad Pitt (Era Uma Vez em… Hollywood)

Nada a adicionar quanto aos termômetros. No caso de Pitt, seria ainda o seu primeiro Oscar por atuação (ele já ganhou o de melhor filme por 12 Anos de Escravidão), algo que provavelmente já deveria ter acontecido há muito tempo, considerando sua extensa carreira com excelentes trabalhos. Como é provavelmente uma de suas melhores atuações, então nem seria um prêmio de consolação. A competição também não está das mais ameaçadoras: por melhores que Al Pacino e Joe Pesci estejam em O Irlandês, o filme não tem conquistado as principais premiações nessa categoria, e Pesci já parou de fazer campanha há um tempo. Hanks e Hopkins devem ter seus fãs na Academia, mas não o suficiente para tirar os holofotes de Era Uma Vez em… Hollywood e O Irlandês. Vitória certa para Pitt, com mínima possibilidade de surpresas por parte da dupla de O Irlandês.

Melhor Atriz Coadjuvante:

1. Laura Dern (História de um Casamento)
2. Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)
3. Florence Pugh (Adoráveis Mulheres)
4. Margot Robbie (O Escândalo)
5. Kathy Bates (O Caso Richard Jewell)

Vai ganhar: Laura Dern (História de um Casamento)
Pode ganhar: Scarlett Johansson (Jojo Rabbit)
Deveria ganhar: Kathy Bates (O Caso Richard Jewell)

Mesma coisa para Dern: todos os termômetros e uma carreira frutífera, com duas outras indicações que não se reverteram em vitórias. Como disse anteriormente, foi um bom ano para Johansson, e a Academia parece ter gostado bastante de Jojo Rabbit (é um papel de grande destaque no filme), mas qualquer surpresa aqui seria muito aleatória também. Um vale-tudo. Até uma vitória de Kathy Bates, com o polêmico O Caso Richard Jewell, não seria tão estranho nesse contexto – ainda mais com o empenho de Eastwood, na reta final, para promover a atriz. E bem que seria merecido mesmo, o seu trabalho é o mais poderoso da lista.

Melhor Roteiro Original:

1. Parasita
2. Era Uma Vez em… Hollywood
3. História de um Casamento
4. Entre Facas e Segredos
5. 1917

Vai ganhar: Parasita
Pode ganhar: Era Uma Vez em… Hollywood
Deveria ganhar: Parasita

Essa deve estar dividindo muita gente entre Parasita e Era Uma Vez em… Hollywood. O filme de Bong Joon-ho foi vitorioso no WGA e no BAFTA, mas Tarantino nem estava elegível para WGA, então sua única vantagem substancial foi a premiação britânica mesmo. Tarantino ainda pode surpreender. Ainda assim, acho que Parasita dificilmente vai sair só com o prêmio de melhor filme internacional, e, particularmente, acho que é um roteiro muito melhor articulado e impressionante, por mais que seja fã do Quentin. Os outros têm poucas chances, mas uma vitória de Rian Johnson por Entre Facas e Segredos seria o máximo também.

Melhor Roteiro Adaptado:

1. Jojo Rabbit
2. Adoráveis Mulheres
3. O Irlandês
4. Coringa
5. Dois Papas

Vai ganhar: Jojo Rabbit
Pode ganhar: Adoráveis Mulheres
Deveria ganhar: Coringa

Era de se imaginar que essa seria a forma da Academia reconhecer Greta Gerwig após a polêmica de sua não-indicação por direção, mas Taika Waititi ganhou WGA e BAFTA sobre o filme dela, então é basicamente o favorito. Ainda não seria estranha uma vitória de Gerwig, porém, considerando tudo que aconteceu. Jojo também pode ser polêmico demais para o gosto de alguns votantes, já que insere um humor bastante irreverente numa história essencialmente dramática sobre um dos períodos mais sombrios da história da humanidade.

De qualquer forma, são duas adaptações modernas e ousadas de livros populares, então realmente têm mais apelo. Era de se esperar que Coringa também teria, mas vai ver o fato de vir dos quadrinhos de super-herói pode ainda ser demais para a Academia (apesar das onze indicações). Uma pena.

Ah, e também seria uma categoria perfeita para garantir que O Irlandês não saia de mãos vazias, mas não tem como superar as chances de Jojo Rabbit e Adoráveis Mulheres mesmo.

Melhor Filme Internacional:

1. Parasita
2. Dor e Glória
3. Honeyland
4. Os Miseráveis
5. Corpus Christi

Vai ganhar: Parasita
Pode ganhar: Dor e Glória

Coloquei Dor e Glória no “pode ganhar” por mera convenção, porque o mais preciso seria colocar Parasita mesmo. Não tem pra ninguém. Se o fato de ser o único desses indicado a melhor filme não for suficiente, considere todas as outras categorias principais nas quais foi mencionado, a repercussão e o reconhecimento do filme internacionalmente. Pode não ganhar na categoria principal, mas é o filme do ano – e sua vitória aqui será consequência disso.

Claro que Almodóvar é um nome conceituado, e, em qualquer outro ano, Dor e Glória – sua obra mais pessoal – ganharia tranquilamente. E Honeyland tem o marco histórico de ser o primeiro filme da Macedônia do Norte indicado, e o diferencial de ser um documentário, mas não deve passar disso também.

Corpus Christi é o com menos chances, tendo passado por debaixo do radar, e Os Miseráveis, por mais interessante que seja, não fez o mesmo barulho que os outros. Se a França tivesse optado por Retrato de uma Jovem em Chamas, a história teria sido outra: com a campanha certa, poderia ter sido o único com reais chances de bater Parasita.

Melhor Animação:

1. Toy Story 4
2. Klaus
3. Link Perdido
4. Perdi Meu Corpo
5. Como Treinar o seu Dragão 3

Vai ganhar: Toy Story 4
Pode ganhar: Klaus
Deveria ganhar: Toy Story 4

Toy Story 4 apareceu em todas as premiações de destaque, e tem a máquina da Disney por trás. Foi um grande sucesso de crítica, como os capítulos anteriores (que também fizeram sucesso no Oscar), e o fato de ter conseguido uma indicação surpresa em melhor canção original também pode significar uma maior aderência na Academia. Agora, Klaus surpreendeu com as vitórias no Annie e no BAFTA, e talvez seja a opção “diferentona” da temporada, considerando sua inovadora prática de animação 2D. É uma história mais acessível que Perdi Meu Corpo, então deve ser o campeão da Netflix aqui. Se Globo de Ouro fosse termômetro para o Oscar, diria que Link Perdido é a opção da vez, com sua admirável animação stop-motion – mas, como não é, aposto num mano a mano entre Disney e Netflix mesmo.

Melhor Documentário:

1. American Factory
2. For Sama
3. Honeyland
4. Democracia em Vertigem
5. The Cave

Vai ganhar: American Factory
Pode ganhar: For Sama
Deveria ganhar: Democracia em Vertigem

Sem clubismo: Democracia em Vertigem é o melhor da categoria. É o documentário mais notável pela maneira elegante, pulsante e íntima como transforma uma realidade dura em poesia. Por mais que seja um azarão, as discussões acaloradas que tem levantado poderiam alavancá-lo. Infelizmente, o filme não parece ser nem a primeira opção da Netflix, já que, supostamente, o investimento em American Factory tem sido massivo desde o início da temporada. Sua presença nas premiações foi constante, e é um bom filme, que aborda delicadamente uma questão importante para a classe trabalhadora estadunidense.

For Sama, porém, poderia levar esse prêmio, considerando o seu sucesso no BAFTA e o conteúdo fortíssimo. Além da trágica realidade retratada, tem cenas ali que devem impactar profundamente quem assistiu.

Por último, vale lembrar de Honeyland, que também está na categoria de filme internacional. Revela uma força dentro da Academia, e deve ser a opção de quem prefere um cinema mais visceral, sem aparentes intervenções. Então, é isso. Talvez a categoria menos previsível da noite.

Melhor Fotografia:

1. 1917
2. Coringa
3. O Farol
4. Era Uma Vez em… Hollywood
5. O Irlandês

Vai ganhar: 1917
Pode ganhar: Coringa
Deveria ganhar: O Farol

Roger Deakins (1917). Ganhou ASC (premiação do sindicato dos diretores de fotografia), e, por mais que esse termômetro nem sempre acerte, o cara fotografou um filme de guerra em plano-sequência sem diminuir muito seu padrão qualidade. A cena do cemitério, de noite, é chocante de tão magistralmente manipulada, e só o trabalho para esperar as condições ideais para manter continuidade provavelmente geraria um documentário inteiro. É um dos grandes nomes do ramo, e amplamente reconhecido (há dois anos atrás estava ganhando seu primeiro Oscar por Blade Runner 2049). Não é meu preferido – o trabalho em preto e branco de O Farol ainda foi mais impressionante para mim, pela forma como contribui para a manutenção daquela atmosfera remota e sobrenatural, sem perder um caráter rústico – mas seria loucura não apostar em Deakins, ainda mais considerando a exposição de seu filme. Nem mesmo Lawrence Sher, com seu icônico e amplamente reconhecido trabalho em Coringa, tem muitas chances.

Melhor Edição:

1. Parasita
2. Jojo Rabbit
3. Ford V Ferrari
4. O Irlandês
5. Coringa

Vai ganhar: Parasita
Pode ganhar: Jojo Rabbit
Deveria ganhar: Parasita

Segundo a premiação do sindicato de editores, vai ficar entre Parasita e Jojo Rabbit mesmo. Ambos ganharam em suas respectivas categorias: drama e comédia. Agora, falta ver qual pesará mais. Se Parasita é mais popular e tem uma montagem mais desafiadora, pela variedade de acontecimentos e tons trabalhados (sendo fundamental para a unidade do filme), Jojo Rabbit chegou de surpresa nessa categoria, pegando a vaga que provavelmente iria para Era Uma Vez em… Hollywood. Então, vai ver sua montagem – igualmente ágil – pode surpreender novamente e se revelar a favorita da Academia.

Uma outra possibilidade, nem tão improvável, é que Ford V Ferrari – ganhador do BAFTA nessa categoria – corra por fora (perdão pelo trocadilho) e leve essa. O Irlandês e Coringa seriam boas apostas em qualquer outra conjuntura, mas, do jeito que está, suas vitórias seriam surpresas.

Melhor Edição de Som:

1. 1917
2. Ford V Ferrari
3. Coringa
4. Era Uma Vez em… Hollywood
5. Star Wars: A Ascensão Skywalker

Vai ganhar: 1917
Pode ganhar: Ford V Ferrari
Deveria ganhar: Coringa

Na categoria única de som do BAFTA, 1917 levou a melhor, enquanto os sindicatos foram dominados por Ford V Ferrari – porém, sem 1917 para competir, graças ao lançamento tardio. Sendo assim, fica difícil de prever, mas talvez o favoritismo de 1917 o favoreça, assim como todas as particularidades que um filme de guerra exige – o que costuma ser reconhecido pela Academia. Coringa, que apresenta um trabalho de som muito mais sofisticado e fora da caixinha, não deve encontrar reconhecimento aqui, mas ainda tem mais chances do que Era Uma Vez em… Hollywood e Star Wars.

Melhor Mixagem de Som:

1. 1917
2. Ford V Ferrari
3. Coringa
4. Era Uma Vez em… Hollywood
5. Ad Astra

Vai ganhar: 1917
Pode ganhar: Ford V Ferrari
Deveria ganhar: Ad Astra

Aqui 1917 deve ter uma vitória mais certa, por conta da organização da categoria. A captação de som direto conta aqui, e lembremos que é um filme de guerra em plano-sequência – então a dificuldade desse set deve ser levada em conta. Mas Ford V Ferrari ainda tem muitas chances.

É legal ver o reconhecimento de Ad Astra, mas, infelizmente, só vai ficar por isso mesmo. Dificilmente um não-indicado a melhor filme se sobressai nessas categorias de som (além de só ter sido indicado a uma delas).

Melhor Design de Produção:

1. Era Uma Vez em… Hollywood
2. 1917
3. Parasita
4. Jojo Rabbit
5. O Irlandês

Vai ganhar: Era Uma Vez em… Hollywood
Pode ganhar: 1917
Deveria ganhar: 1917

A reconstrução de Hollywood da década de 1960, incluindo o rancho da família Manson, avenidas inteiras, festas, sets de filmagem e muito mais, deve chamar mais a atenção dos votantes, além de ter sido bem sucedida nos termômetros. Não é por isso, porém, que 1917 não pode aparecer aqui também, com sua recriação detalhada das trincheiras da Primeira Guerra Mundial, além de escombros deixados pelo caminho. Até Parasita poderia se dar bem aqui, considerando a peculiaridade de seu trabalho – converter poeticamente a desigualdade social num ambiente moderno e manipulável. Jojo Rabbit também é tão próprio e rico em detalhes que não seria uma vitória estranha. Mas a aposta mais segura ainda é Era Uma Vez em… Hollywood. Se formos avaliar pelo resultado em sindicatos, estaria entre esse e Parasita, na verdade. Mas lembremos que 1917 chegou atrasado e pode ter sido prejudicado nessa competição também.

Melhor Figurino:

1. Adoráveis Mulheres
2. Jojo Rabbit
3. Era Uma Vez em… Hollywood
4. Coringa
5. O Irlandês

Vai ganhar: Adoráveis Mulheres
Pode ganhar: Jojo Rabbit
Deveria ganhar: Adoráveis Mulheres

Jojo Rabbit ganhou a guilda, e não é difícil de imaginá-lo vitorioso aqui, mas Adoráveis Mulheres não estava na disputa por ter chegado atrasado na campanha, então não podemos descartá-lo. Adicione isso a uma vitória no BAFTA, e o fato de poder ser a única categoria em que o indicado a melhor filme pode levar algo. Além disso, a variedade de cores, tecidos e estilos das roupas das adoráveis mulheres é um dos diferenciais do longa, pela forma como dialoga com cada ocasião retratada. Não deixaria Era Uma Vez em… Hollywood fora de cogitação também, mas a aposta mais segura é Adoráveis Mulheres mesmo.

Melhor Trilha Sonora:

1. Coringa
2. 1917
3. Adoráveis Mulheres
4. História de um Casamento
5. Star Wars: A Ascensão Skywalker

Vai ganhar: Coringa
Pode ganhar:1917
Deveria ganhar: Coringa

Hildur (compositora de Coringa) ganhou o BAFTA, e ainda o Globo de Ouro, só para expandir território. Sua música é um dos aspectos mais marcantes de Coringa, e provavelmente é a mais memorável entre as indicadas (já que Nós não entrou na lista). Porém, considerando que Thomas Newman (compositor de 1917) já foi indicado 15 vezes e nunca ganhou, a Academia poderia resolver reconhecê-lo logo. Dependendo do grau de adoração por 1917, não diria que é impossível, apesar de improvável. Desplat (Adoráveis Mulheres), Williams (Star Wars: A Ascensão Skywalker) e o outro Newman (o Randy, de História de um Casamento) seriam grandes surpresas.

Melhor Canção Original:

1. “I’m Gonna Love Me Again” (Rocketman)
2. “Stand Up” (Harriet)
3. “Into the Unknown” (Frozen 2)
4. “I Can’t Let You Throw Yourself Away” (Toy Story 4)
5. “I’m Standing With You” (Breakthrough)

Vai ganhar: “I’m Gonna Love Me Again” (Rocketman)
Pode ganhar: “Stand Up” (Harriet)
Deveria ganhar: “Stand Up” (Harriet)

Algumas coisas a favor de “I’m Gonna Love Me Again”:
Rocketman era a maior aposta da Paramount para a temporada, e acabou só conseguindo essa indicação. Então, poderia ser um prêmio de consolação.
• Seria a primeira vitória da dupla Elton John e Bernie Taupin no Oscar, então seria um baita momento para a premiação.
• É o Elton John.

São os melhores argumentos. E, se quiser incluir a vitória da música no Globo de Ouro, por que não? Não é como se tivéssemos termômetros muito melhores para a categoria.

Dito isso, acho que qualquer um poderia vencer, com exceção de Superação: O Milagre da Fé, que não deve ser o longa mais popular aqui (e a canção não se destaca tanto também). Uma vitória de Stand Up, de Harriet, porém, seria a opção mais significativa para a premiação, além de ter o refrão mais chiclete e ser um dos concorrentes mais presentes na temporada. Também renderia a Cynthia Erivo, indicada a melhor atriz pelo mesmo filme, um EGOT. Não sei se os votantes levariam isso em conta (acho que não), mas também seria um momento histórico.

Melhor Cabelo e Maquiagem:

1. O Escândalo
2. Judy
3. Coringa
4. Malévola: Dona do Mal
5. 1917

Vai ganhar: O Escândalo
Pode ganhar: Judy

O Escândalo teve as transformações físicas mais impressionantes e foi o mais bem-sucedido nessa categoria durante a temporada. Tendo alguma surpresa, poderíamos esperar Judy ou Coringa – o primeiro por transformar Renée Zellweger em Judy Garland, o segundo pela iconografia marcante do rosto do protagonista.

Melhores Efeitos Especiais/Visuais:

1. O Rei Leão
2. 1917
3. Vingadores: Ultimato
4. O Irlandês
5. Star Wars: A Ascensão Skywalker

Vai ganhar: O Rei Leão
Pode ganhar: 1917
Deveria ganhar: O Rei Leão

Podemos dividir essa categoria em dois grupos: filmes altamente dependentes do CGI, e filmes que usam os efeitos visuais de forma complementar. Do primeiro grupo, Vingadores tem sido citado entre os favoritos – e pode até ser mesmo -, mas O Rei Leão é o tipo de trabalho que impressionaria a Academia, com seu hiper-realismo (lembremos da vitória de Mogli sobre Doutor Estranho, em 2017). Com a Disney vendendo o filme como revolucionário, pode e deve ganhar grande apelo.

Do segundo grupo, temos 1917 e O Irlandês. Enquanto o longa de Scorsese deve ter poucas chances, já que se restringe mais ao (impressionante) rejuvenescimento de seus personagens, 1917 tem crescido nesta categoria, ganhando, inclusive, no BAFTA. Então… diria que está entre O Rei Leão, 1917 e Vingadores.

Melhor Curta-metragem:

  1. The Neighbors’ Window
  2. Brotherhood
  3. A Sister
  4. Saria
  5. Nefta Football Club

Vai ganhar: The Neighbors’ Window
Pode ganhar: Brotherhood
Deveria ganhar: Nefta Football Club

Categorias de curta costumam ser complexas de se prever. Pessoalmente, apostaria no The Neighbors’ Window por ser a quarta indicação do diretor Marshall Curry, e a primeira por uma obra de ficção. Como ainda não ganhou, seria uma forma de reconhecê-lo, além de um incentivo para seguir na ficção. É um filme bem polido e com uma mensagem apelativa, que vai ver conquista uma boa quantidade de votantes. Não é tão socialmente relevante quanto Saria e A Sister, ou tão inteligente quanto Nefta Footbal Club, mas é um bom filme e não seria uma vitória surpreendente.

Porém, muitos apostam no Brotherhood – o que também é possível, com o seu final imprevisível e mensagem igualmente apelativa. Não é meu favorito, mas sua vitória não seria uma surpresa também.

Melhor Curta-metragem (Animação):

  1. Hair Love
  2. Memorable
  3. Kitbull
  4. Sister
  5. Dcera (Daughter)

Vai ganhar: Hair Love
Pode ganhar: Memorable

Hair Love é o favorito por ser bastante representativo e ter sido amplamente divulgado pela Sony Pictures (foi exibido antes de sessões de The Angry Birds 2 nos Estados Unidos). Agora, pessoalmente, acho que um filme como Memorable pode ter muito apelo também, pela maneira criativa como integra o tema e a história do protagonista com a proposta estética. Não é a aposta mais óbvia, mas imagino ganhando também. Kitbull é outro nome forte, pela sua simplicidade e por ser da Pixar. Mas não descartaria nenhum.

Melhor Curta-metragem (Documentário):

  1. Learning to Skateboard in a Warzone (if you’re a girl)
  2. St. Louis Superman
  3. Walk Run Cha-Cha
  4. A Vida em Mim
  5. In the Absence

Vai ganhar: Learning to Skateboard in a Warzone (if you’re a girl)
Pode ganhar: St. Louis Superman

Learning to Skateboard in a Warzone (if you’re a girl) ganhou o BAFTA de melhor curta britânico. Tudo bem que é uma categoria diferente e não tinha os outros indicados, mas aponta uma aderência por parte da ala britânica (e é o título mais criativo, né?). Agora, se a premiação optar por um título mais próximo da realidade estadunidense, pode ser St. Louis Superman. Mas, como disse, difícil prever.

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