A temporada de julho dos animes já começou, e entre as estreias que chamaram atenção está Astra Lost in Space (Kanata no Astra). Baseado no mangá de Kenta Shinohara, lançado em 2016, o primeiro episódio conta com quase 50 minutos de duração, funcionando como um episódio duplo. Isso dá à animação tempo suficiente para criar um início impactante e desenvolver sua introdução sem pressa.

A história se passa no ano de 2061, quando as viagens espaciais já são viáveis e feitas até com colégios. Acompanhamos os alunos da Caird High School, que se preparam para acampar em outro planeta por cinco dias. As coisas iam bem, até chegarem ao destino e serem sugados por uma esfera de energia misteriosa. Eles são transportados para 5012 anos-luz de seu planeta natal e precisam encontrar uma forma de voltar pra casa.

Como o próprio título e a sinopse nos adiantam, neste anime vamos acompanhar pessoas que estão perdidas no espaço, trazendo uma premissa recorrente de outras mídias. Porém, entre as animações japonesas, a temática não é tão comum, se tornando um dos diferenciais. Também é bom ver uma série em que os personagens não têm super-poderes ou habilidades especiais, contando apenas com a coragem e seus conhecimentos para lidar com as adversidades.

O fato de termos nove protagonistas, cada um apresentando um arquétipo e habilidades diferentes, já torna a trama interessante o suficiente para sustentar toda a temporada. É possível trabalhar não só as relações entre eles, como também criar situações onde cada um tenha uma utilidade. Neste primeiro episódio, já temos um exemplo disso, com a missão de resgate liderada por Kanata. O personagem é um dos destaques aqui, sendo representado como o herói e capitão do grupo pela coragem e persistência. Também sabemos mais sobre seu passado, deixando claro sua motivação.

A princípio, a interação entre os personagens é feita de forma boba e pouco interessante, e isso se deve, principalmente, à Aries. Aparentemente, ela será a protagonista da história, mas sua ingenuidade acima do tolerável não ajuda a criar empatia por ela. Esse começo também é prejudicado pelo tom, pois os alívios cômicos surgem fora de timing e atrapalham o desenvolvimento. Felizmente, as coisas melhoram quando os personagens vão para o espaço.

Após serem sugados pela esfera de energia, Aries se distancia dos amigos. É então que começa uma das melhores sequências da estreia, conseguindo passar toda a aflição e desespero que deve ser estar sozinho no espaço. Isso é transmitido, principalmente, através do som, pois a trilha sonora some e apenas ouvimos a personagem pela voz abafada do capacete. Também ajuda termos a visão desorientada em primeira pessoa, passando a sensação de medo.

Visualmente, Astra Lost in Space foi uma das estreias mais cinematográficas da temporada. Existe até mesmo um letterbox, reproduzindo a clássica proporção de telas de cinema. Também é possível notar referências a produções do ocidente, como Star Trek e Gravidade.

A animação, feita pelo estúdio Lerche, se destaca pelo design dos protagonistas e a ambientação futurista, além de impressionar pela qualidade do CGI. Em alguns momentos, o anime mistura 3D com 2D, mas a interação entre eles é muito bem feita e não causa estranhamento.

Ao fim do episódio, fica estabelecido que os personagens ainda vão passar por muitos outros planetas até voltarem para casa. Portanto, o foco do anime será na sobrevivência do grupo e o perigo que o desconhecido reserva para eles. Também podemos esperar conflitos internos, como decisões divergentes e a forma que lidam com a personalidade de cada um.

Astra Lost in Space teve uma das estreias mais bem-sucedidas até então, estabelecendo sua proposta desde o início e empolgando o público para o que está por vir. Para quem gosta de ficção científica, é uma das apostas mais seguras para acompanhar na temporada de julho.

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