Hoje (02), a Netflix adicionou ao seu catálogo uma nova produção original: Altered Carbon. Criada por Laeta Kalogridis e protagonizada por Joel Kinnaman; a série é baseada no livro homônimo de Richard K. Morgan, que discute, entre outros temas, a imortalidade.

A aposta cyberpunk do serviço de streaming se passa em um futuro onde as pessoas se tornaram imortais graças ao avanço da tecnologia, permitindo com que seus corpos sejam substituídos como uma cobra troca de pele. O protagonista da trama é Takeshi Kovacs (Joel Kinnaman), um terrorista que precisa solucionar um assassinato para reduzir sua pena.

Apesar da sinopse ser simples, a série em si é bem mais complexa que isso. Ela debate todas as consequências que a imortalidade pode causar em uma sociedade, como o privilégio dos ricos, a questão da religião e uma discussão comum no gênero de ficção científica: “o que eu sou?”

O primeiro episódio gira em torno da apresentação do protagonista e todos os conceitos que giram em torno deste universo apresentado, assim como a decisão de Takeshi Kovacs em aceitar o trabalho de resolver um crime não solucionado. Ainda dá tempo de entregar ótimas sequências de ação, que eram prometidas desde os materiais promocionais e não ficam atrás de grandes produções hollywoodianas.

O mesmo pode ser dito do visual da série em si, que lembra bastante o clássico Blade Runner, como sua ambientação noturna, letreiros em neon, hologramas e a incidência de luz sobre os personagens. Um belo exemplo está no frame abaixo, retirado do primeiro episódio:

É esperado que Altered Carbon realmente entre de cabeça no submundo cyberpunk, e as coisas ficam ainda mais interessantes pelo protagonista não ser o mocinho da história, sendo mais parecido com um anti-herói. Todo o conceito apresentado até então é muito interessante, já que nada é abordado de forma superficial, servindo realmente como uma obra que faz refletir sobre o que é a vida e criar questionamentos para o público.

Um dos apelos que a série tem com o espectador é sua temática “Black Mirror”, que imagina um futuro para o qual estamos caminhando. Neste caso, a ideia está um pouco além do nosso alcance e o futuro é distante, mas ainda cria uma proximidade com a nossa realidade pelos paralelos criados em relação aos tempos modernos. É um ótimo exercício de “E se…”, principalmente graças a riqueza de detalhes apresentados.

Altered Carbon tem tudo para ser o novo queridinho da Netflix. Mesmo sem ter personagens tão carismáticos, a trama consegue empolgar e atrair a atenção do público pela curiosidade. Para aqueles já familiarizados com o gênero, é um prato cheio.

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