A Cygames é uma das principais desenvolvedoras de jogos mobile do Japão. Com grande apelo no seu país de origem, a empresa costuma trabalhar com crossmedia, criando também animes e mangás de suas propriedades intelectuais – entre elas, Rage of Bahamut e Granblue Fantasy. Recentemente, ela até criou um estúdio próprio, o CygamesPictures, que atualmente desenvolve sua segunda série animada, Princess Connect! Re:Dive, adaptação do título para Android e iOS, lançado em 2018. Entre méritos e deméritos, a produção apresenta diversos elementos do jogo original, mas talvez eles acabem sendo incorporados muito ao pé da letra. Na trama pouco inovadora, acompanhamos um garoto que é invocado para um mundo de fantasia, mas não se lembra de nada – nem quem ele é.

Uma das principais qualidades desta obra é justamente o trabalho do estúdio que, já no ano passado, impressionou tecnicamente com Manaria Friends – sua primeira série animada. Aqui, não há o que reclamar dos cenários oníricos, fantasiosos e contemplativos, assim como o cativante design de personagens – pelo menos por parte das heroínas. Se tem uma coisa em que a empresa é boa, é construir um rico universo medieval, tendo os jogos como base. Porém, os problemas começam a aparecer quando vamos para a história em si.

Para começar, os personagens: Yuuki é um protagonista inexpressivo, apático e monossilábico. Mesmo dentro da proposta, ele simplesmente não funciona. Aquele que deveria nos conduzir pela aventura é apenas guiado pelos outros personagens, usando sua perda de memória como justificativa. Isso fez com que ele se esquecesse de coisas banais, como a utilidade do dinheiro, resultando em cenas muito bobas. O objetivo, teoricamente, é fazer com que ele se pareça com um personagem principal de videogame, mas a adaptação não é bem executada.

A principal interação do protagonista é com a gentil e carismática elfa Kokkoro, que praticamente levou o episódio nas costas. A princípio, é interessante a forma como ela guia a história – de maneira bem didática – semelhante a um tutorial de RPG. Entre outros elementos que remetem aos jogos do gênero estão os efeitos sonoros, as animações de “vitória” ou “derrota” e o fato dos coadjuvantes parecerem com NPCs. Porém, a dinâmica acaba perdendo fôlego rapidamente, assim como o alívio cômico, que começa a repetir piadas com a quebra de expectativa, deixando as coisas muito óbvias. Outro ponto que incomoda é o excesso de ingenuidade dos personagens, como é o caso da guerreira Pecorine. Mesmo que essa seja uma característica dela, há momentos em que isso passa dos limites, subestimando a percepção do público.

Felizmente, na última parte do episódio, quando temos a primeira batalha séria, a inspiração nos jogos de RPG faz mais sentido. Cada personagem conta com uma função específica durante o combate e há um certo entrosamento, semelhante a uma party. Por exemplo, Kokkoro desempenha o papel de suporte, aumentando a velocidade do protagonista – que, por sua vez, buffa toda sua equipe. Se o anime contou com essa dinâmica numa luta simples, imagino que virão confrontos ainda mais legais daqui para frente.

O final do episódio abre muitas possibilidades para a continuação da história. Além do mistério da perda de memória de Yuuki, também são apresentados dezenas de novos personagens interessantes e muito plurais, que devem dar uma boa movimentada na trama – o que lembra a estreia de Tower of God. Também já tivemos uma pequena amostra, por meio de um plot-twist, de que as coisas não são o que parecem e que o grupo deve descobrir “o que é verdade e o que é falso nesse mundo”.

Princess Connect conta com muitos tropeços em sua execução, prejudicada pelo protagonista sem sal e situações muito bobas. Por outro lado, há uma bela animação, assim como a promessa de que a história tem potencial. Resta saber se o anime vai entregar o que mostrou ou gastar a maior parte do seu tempo, como aconteceu na estreia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui