A cinebiografia de Elton John, Rocketman, vai estrear no dia 16 de maio, no Festival de Cannes (aqui no Brasil chega um pouco depois, no dia 30 de maio). Apesar da distância, já conferimos 15 minutos do filme, a convite da Paramount Pictures. O clipe incluiu cenas de diversos momentos de sua vida, com destaque para a sua infância na Inglaterra, seu primeiro show nos Estados Unidos e uma crise pós-fama. O que se pôde tirar desses fragmentos? Bom, muita coisa interessante.

Para começar, dá para perceber o quanto a produção depositou fé no talento de sua estrela, Taron Egerton. Mais conhecido pela franquia de ação Kingsman, o ator está realmente irreconhecível no papel de Elton John. Sem querer fazer juízo de valor, a sua proposta é bem diferente da de Rami Malek quando encarnou Freddie Mercury no recente Bohemian Rhapsody. Egerton parece estar bem mais confortável em seu respectivo papel, se preocupando mais em entregar uma versão própria do personagem do que imitá-lo ou caricaturá-lo. O fato dele mesmo estar cantando (e isso é notável, dada diferença na voz) é um reflexo dessa abordagem – muito mais do que servir de ilustração do cantor, Egerton está incorporando-o.

Isso não só evidencia o jovem ator como um verdadeiro showman, mas também entrega o que parece ser a proposta do longa como um todo: celebrar a vida e a obra de Elton John, sem se prender à realidade. Quando digo “realidade”, não estou me referindo à fidelidade aos fatos ou à semelhança entre o elenco e as figuras retratadas (até porque Egerton está fisicamente parecido com um jovem Elton), mas a uma estrutura protocolar de roteiro e direção que prioriza a reprodução da história sobre a poesia presente nela.

Pelo que vimos, o diretor Dexter Fletcher (que já trabalhou com o ator em Voando Alto) toma algumas liberdades poéticas, como fazer as pessoas flutuarem num show e incluir um número musical no meio de uma discussão num restaurante. Nesse sentido, Rocketman se aproxima mais de O Rei do Show do que de Bohemian Rhapsody, abraçando a linguagem teatral e o gênero musical. Isso pode surpreender a muitos, considerando que Fletcher foi quem assumiu a direção de Bohemian após a saída de Bryan Singer. Alguns poderiam até esperar algo na mesma linha, mas é evidente que, aqui, ele teve mais controle criativo, enquanto no outro caso só teve que terminar um trabalho praticamente já concluído (até onde sabemos).

Não dá para dizer que não há alguns clichês presentes em outros filmes do tipo, mas o flerte com o gênero musical realmente indica uma ousadia maior – o que é necessário para diferenciá-lo de outras cinebiografias recentes sobre músicos consagrados. Além de Queen, tivemos longas sobre Mötley Crüe, Tupac, Beach Boys e N.W.A. nos últimos anos (isso sem contar as produções nacionais sobre Tim Maia, Erasmo Carlos, Elis Regina e Planet Hemp). Sendo assim, seria natural esperar mais do mesmo, mas parece que Rocketman pode realmente mudar o jogo. Esse é um para se observar, inclusive para a temporada de premiações.

Ah, vale ressaltar que Egerton não é o único a atrair atenção aqui: Jamie Bell, no papel do letrista Bernie Taupin, também assume o microfone, enquanto Richard Madden – o Robb de Game of Thrones – está bastante diferente como John Reid. Isso mostra que, talvez, os coadjuvantes também tenham algo a fazer, além de ficar orbitando a super-estrela que protagoniza a história – outra novidade que seria muito bem-vinda.

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