A temporada de outubro para os animes começou logo no dia primeiro com uma grande estreia, que inclusive estava na nossa lista dos animes mais esperadosTensei Shitara Slime Datta Ken (That Time I Got Reincarnated as a Slime). Com 24 episódios previstos, seu piloto serviu apenas como uma apresentação do protagonista e dos desafios que precisará lidar com sua nova vida.

A trama acompanha Satoru Mikami, um trabalhador japonês de 37 anos bem sucedido, tirando o fato de que não tem uma namorada. Após ser assassinado por um bandido, sua vida muda completamente, reencarnando como um slime cego em outro mundo.

À primeira vista, esse anime pode parecer um isekai comum, mas logo vemos que o personagem principal da obra é ninguém menos que um slime. Quem conhece um pouco sobre RPG sabe que esse tipo de monstro é um dos mais fracos e inúteis, principalmente se ele não puder enxergar. Esta é uma das características que mais chama atenção no anime, por ser diferente de tudo que já foi feito antes nesse gênero.

Por outro lado, suas habilidades extremamente convenientes acabam deixando as coisas muito mais simples do que o esperado, repetindo o erro de outras obras que usam do artifício deus ex machina para tornar seus protagonistas “sortudos”. O problema não está exatamente nas facilitações do roteiro, mas sim na falta de uma justificativa para isso. Além disso, seus problemas são solucionados de forma muito rápida, como a própria cegueira do personagem, que poderia ser mais explorada.

O próprio protagonista sabe disso

Uma das principais comparações que pode ser feita à nova vida do protagonista assim que ele reencarna em outro mundo é com um jogo. Mais uma vez fazendo uma nítida referência aos RPGs, o vemos coletando itens, ganhando habilidades e até ouvimos uma voz que lembra o menu de um jogo.

Nos momentos finais, ainda somos apresentados a Veldora que à primeira vista aparenta ser um dragão ameaçador, mas conta com uma personalidade tsundere. Essa quebra de expectativa é muito bem-vinda, principalmente se levarmos em conta que a obra deve trabalhar bastante com alívios cômicos. O que também funciona é a dinâmica entre os dois personagens que, mesmo sendo uma dupla improvável, rende bons diálogos.

O estúdio 8bit, que ficou responsável pela animação, também não decepcionou nesse primeiro episódio. Além de destacar as expressões dos personagens não-humanos, também houve um bom uso de computação gráfica e efeitos visuais, enriquecendo visualmente o anime, principalmente no momento de transição pós-vida com o trabalho de cores e formas. Resta saber se o nível será mantido nos próximos episódios – como nas sequências de ação.

Levando em conta o que a abertura do anime nos adianta, parece que nosso protagonista não manterá a forma de slime por muito tempo, passando a adotar o visual de um humano. Isso pode fazer com que a trama vá para o caminho genérico, perdendo um de seus principais diferenciais, ou consiga provar que não precisa disso para se destacar dentro do gênero.

O que sabemos é que seu sucesso de vendas no material original não é em vão e sua adaptação para anime era apenas questão de tempo. Parece que veremos muito de Tensei Shitara Slime Datta Ken daqui pra frente, podendo repetir o fenômeno assim como em outras mídias.

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