Introdução por Pedro Henrique Figueira e comentários por José Gabriel Fernandes

O atual universo compartilhado de filmes da DC Comics não tem um nome oficial, mesmo que muitos o chamem de Universo Estendido da DC (DCEU). A questão é que, com percalços ao longo do caminho – alguns projetos tiveram problemas nos bastidores e acabaram não agradando ao público -, a Warner Bros. decidiu seguir uma outra proposta: a de um universo com longas que funcionam de forma independente, cujo título seria Worlds of DC.

Mesmo com esse novo nome, podemos dizer que o rumo que o estúdio vai seguir ainda é uma incógnita. O fato é que esse universo está começando a entrar nos trilhos, visto os recentes lançamentos de Aquaman e Shazam!, que se tornaram sucessos de público e crítica.

Sendo assim, nossa redação decidiu colocar todos os 7 longas da franquia num ranking, do pior ao melhor. À medida que os novos filmes forem lançados, a lista será atualizada.

Clique na seta para ver cada uma das posições. No final do post, você também pode conferir as listas individuais de cada integrante da equipe do site:

7. Esquadrão Suicida (2016)

Direção: David Ayer

Ao contrário de seu protagonista, o Pistoleiro, este filme atira para todos os lados e erra fatalmente.

Esquadrão Suicida já estava causando desde seus primeiros trailers, apresentando personagens B do Universo DC (muito antes de apresentar alguns A) e um Coringa bastante... diferente. Na época, podia se dizer muita coisa sobre a ideia, menos que não era promissora. Afinal, um filme sobre um grupo de super-vilões que realiza missões perigosas ou sujas demais para os mocinhos é diferente de tudo que tínhamos visto no subgênero até então.

Mesmo com isso em mãos, optou-se por uma abordagem semelhante a tudo que tínhamos visto no subgênero até então, com direito a seus piores clichês, como uma vilã inexplicavelmente super-poderosa e o bendito feixe de luz no céu. Claro que nada disso seria um problema se o roteiro ao menos funcionasse num nível básico, mas, infelizmente, o roteirista e diretor David Ayer não compreendeu nenhum dos personagens ali dispostos.

Os que mais sofrem com isso são o casal Coringa e Arlequina, interpretados por dois grandes atores (Jared Leto e Margot Robbie), mas que não conseguem deixar uma boa impressão com as falas expositivas e rasas. Bom, Robbie ao menos fez o dever de casa e conseguiu imitar muito bem a personagem, mas certos problemas, como a romantização do relacionamento abusivo com o Coringa, não puderam ser ofuscados pela sua competência.

O mesmo acontece com o restante do elenco. Will Smith carrega o seu usual carisma como o Pistoleiro, Jay Hernandez tem uma carga dramática satisfatória como El Diablo e Jai Courtney está estranhamente bem no papel do excêntrico Capitão Bumerangue. Porém, na hora de integrá-los a uma família de desajustados, nada funciona. Não há nada mais desestimulante do que ver supostos criminosos reforçando constantemente como são “malvados”, e acompanhar um crescimento de uma relação afetuosa forçada entre indivíduos que mal tiveram tempo de tela para se conhecer.

Enfim, há muito para se reclamar do filme. Os pontos que salvam são a premiada maquiagem e a caracterização de Amanda Waller, interpretada vigorosamente por Viola Davis. Quanto ao resto, bastava que o estúdio fosse menos megalomaníaco e fizesse uma adaptação literal da animação Batman: Ataque ao Arkham (2014). Garanto que os fãs teriam ficado muito mais satisfeitos (e, possivelmente, os críticos também). Ou que deixasse David Ayer executar sua visão com total liberdade criativa, porque, convenhamos: não é preciso ser nenhum gênio da sétima arte para notar a diferença entre o primeiro trailer da Comic-Con de 2015 e o produto final. As extensivas refilmagens meio que confirmam a interferência do estúdio - o que obviamente não ajudou muito.

6. Liga da Justiça (2017)

Direção: Zack Snyder

Liga da Justiça já está de parabéns por realizar a difícil tarefa de introduzir tantos personagens diferentes no terreno pantanoso que era o DCEU até então. Mas o filme consegue realizar mais do que isso, uma vez que nos faz realmente gostar dos heróis (pelo menos da maioria) e nos empolgar para suas aventuras individuais (pelo menos as que ainda têm chances de acontecer).

O roteiro de Chris Terrio e Joss Whedon compreende perfeitamente a essência da maioria deles. Quando não, ao menos abre espaço para uma evolução. Para ser mais específico, é o caso do Barry Allen de Ezra Miller, que além de muito caricato, lembra muito pouco o dos quadrinhos. Mas o Batman, a Mulher-Maravilha, o Ciborgue e (principalmente) o Superman estão exatamente da maneira que foram idealizados - ou reimaginados - nos quadrinhos, trazendo satisfação para qualquer "fã raiz" desses personagens. Ah, e o Aquaman de Jason Momoa está surpreendentemente maneiro (apesar da versão “Super-Amigos” dele ser sensacional também).

As sequências de ação de Zack Snyder também não decepcionam, desde a intensa corrida das amazonas, até um marcante confronto entre Superman e Flash, que dá sentido a um de seus recursos favoritos: a câmera lenta.

Se não fosse pelo desenvolvimento apressado da trama e um vilão que, literalmente, enfeia toda cena em que aparece, Liga da Justiça entraria facilmente numa posição mais alta. 

5. O Homem de Aço (2013)

Direção: Zack Snyder

Muitas críticas podem ser feitas a Zack Snyder, mas falta de originalidade não é uma delas. Certamente, foi preciso muita coragem para executar sua visão em O Homem de Aço.

Após décadas vendo o clássico Superman escoteiro de Christopher Reeve, é fato que apresentar um Superman jovem, inconsequente e completamente deslocado seria um desafio.

Mas ter uma proposta ousada não garante à produção o título de “obra-prima”. Ainda há questões básicas de roteiro das quais o filme não dá conta. Um exemplo mais notável é todo o conflito moral induzido pelo pai adotivo, Jonathan Kent: a questão do mundo estar preparado, ou não, para ter uma figura divina como um Superman. Essa ideia, muito cara ao diretor, é, de fato, interessante. O problema é que, por vezes, é completamente ignorada. Ora, ele deixa de resgatar o próprio pai para preservar seu segredo, mas perde todo esse cuidado ao se vingar de valentões? Muitas desculpas plausíveis poderiam ser elaboradas para justificar esses descuidos, mas o fato é que o filme não apresenta isso.

A verdade é que ainda debatemos o filme porque, assim como Ícaro (ou Kal-El), ele voou muito próximo ao Sol - próximo demais para não se garantir em questões mais primárias. Mas Homem de Aço ainda funciona como um bom filme de ação/ficção científica, com suas cenas de ação à la Dragon Ball Z e seu design de produção… bom… diferente de tudo que tínhamos visto até então (talvez com algumas influências de Avatar e do Superman de 1978).


Obs: não podemos falar sobre o filme sem citar o incrível desempenho de Michael Shannon como Zod, que é possivelmente o melhor vilão do DCEU. Sua motivação é completamente compreensível e sua presença, intimidadora. A atuação de Shannon só enfatiza esses aspectos.

4. Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

Direção: Zack Snyder

Por um lado, temos algumas das melhores sequências filmadas no subgênero de super-herói, como a do Batman caindo na mão com os capangas de Luthor num galpão, o pesadelo no deserto e até mesmo a polêmica briga entre o Cavaleiro das Trevas e Superman. Por outro, temos um roteiro completamente inconsistente em termos de motivação e desenvolvimento dos personagens. Afinal, o Batman mata ou não? Se mata, por que quase cede em momentos mais pontuais? E o Superman? Ele consegue ouvir gritos de socorro a partir de longas distâncias? Se sim, por que não percebe que sua mãe foi capturada pelos capangas de Luthor? É muito buraco para dar conta, obrigando o roteiro a simplesmente ignorar convenientemente certas regras que estabeleceu e tirar soluções absurdas do chapéu.

Isso leva ao famigerado momento envolvendo Martha… Acho que o problema dessa cena não é o que ela tenta comunicar, mas, sim, como o faz… Se o diretor Zack Snyder se propôs a contar uma história um pouco mais realista quanto às consequências dos eventos apresentados, como esperar que o público engula uma desculpa tão esfarrapada para encerrar uma briga? Até acho que não era a proposta inicial do diretor (como a fantasiosa e metafórica sequência inicial dá a entender), mas aí faltou a definição do tipo de história que ele pretendia contar.

Há também inúmeras tentativas forçadas de trazer momentos icônicos dos quadrinhos, que acabam ficando rasos ou pouco condizentes com o resto do filme (para dizer o mínimo). Um bom exemplo disso é a briga entre Batman e Superman, que, apesar de muito bem executada, nada tem a ver com o contexto em que está inserida. Afinal, se Superman está tão desesperado para salvar a mãe, por que passa tanto tempo medindo forças com o Batman? Devemos lembrar também da introdução apressada de Apocalypse, cujo único propósito é matar Superman para adaptar um de seus momentos mais marcantes dos quadrinhos. O problema é que A  Morte do Superman merecia um filme inteiro, e não uma sequência final que mais se assemelha a uma cutscene de um jogo de PS3.

Enfim, há muito para gostar e detestar aqui, tornando a obra extremamente divisiva e relevante no universo geek - tudo que um confronto entre os dois maiores heróis da história merecia ser.

 

3. Aquaman (2018)

Direção: James Wan

Não deveria ser surpresa para ninguém que um filme do Aquaman seria um épico marítimo super fantasioso e colorido... Afinal, o que mais poderíamos esperar?

Talvez o impacto se dê pelo caminho que a DC estava traçando até então, com um pouco de receio em abraçar a fantasia descompromissada e despretensiosa. Foi positivo o estúdio ter aberto mão dessa visão justamente neste caso, permitindo que o diretor James Wan explorasse ao máximo as convenções do subgênero - e dos blockbusters como um todo - até o ponto de ficar divertidamente constrangedor. As sequências de ação são memoráveis e ambiciosas, enquanto a fotografia de Don Burgess cria cenas icônicas que poderiam estampar a capa de uma revista em quadrinhos.

Aliás, toda a construção de mundo é recompensadora para os fãs do meio, criando algo novo, imersivo e, ao mesmo tempo, fiel ao material fonte. Só a adaptação do clássico vilão Arraia Negra (interpretado por Yahya Abdul-Mateen II) e a adição do emblemático uniforme do personagem-título mostram que os realizadores estavam com o coração no lado certo na hora de fazer o filme.

Todo o elenco de apoio também dá o seu melhor, com destaque para Nicole Kidman e Patrick Wilson. Porém, ninguém tira a coroa do rei: Jason Momoa coloca em uso o seu carisma, para trazer um herói que dá gosto de acompanhar numa extensa aventura (e olha que o ritmo dá uma pesada na passagem do segundo para o terceiro ato).

Com tudo isso, podemos dizer que Aquaman é puro entretenimento de qualidade, e ainda que não seja um divisor de águas (perdão pelo trocadilho), é ousado e competente o suficiente para deixar sua marca.

2. Mulher-Maravilha (2017)

Direção: Patty Jenkins

Mulher-Maravilha é tão emblemático e poderoso quanto deveria ser, arrepiando até o mais frio dos fãs - e não é só por ser o primeiro grande filme protagonizado por uma super-heroína (sim, já estamos em 2017), mas por tudo que ele coloca na mesa.

Toda a discussão sobre a cultura da guerra e o poder da mulher é necessária e refrescante para o subgênero, além de ser uma bela desconstrução do patriarcado. Nenhuma cena exemplifica melhor tudo isso do que a No Man’s Land, com a execução perfeita de Patty Jenkins e a impactante música de Rupert Gregson-Williams. As conversas de Diana com Steve Trevor (competentemente interpretado por Chris Pine) e seus pequenos atos de transgressão também adicionam muito ao debate, e não de maneira expositiva ou superficial, mas elegante e afiada - como o Cinema deveria ser.

Pena que os realizadores se esqueceram disso na batalha final contra o Ares. Se não tivessem revertido a decisão de acabar com a inocência de Diana e torná-la mais crédula quanto à bondade dos homens, o longa terminaria em nota alta. Infelizmente, preferiram fazê-la acreditar no poder curador do amor e jogá-la numa artificial cena de ação contra um personagem de desenho animado.

Bom, nem tudo é perfeito, mas ao menos Mulher-Maravilha fez o suficiente para deixar uma marca positiva, não só na história da DC, mas também na Sétima Arte.

1. Shazam! (2019)

Direção: David F. Sandberg

A adaptação de Shazam para os cinemas é tudo que se imaginava que poderia ser e um pouco mais: uma aventura infanto-juvenil que parodia o subgênero como um todo. Afinal, a premissa de uma criança virando magicamente um super-herói adulto não dá margem para tanta coisa além disso (sob um ponto de vista mais mercadológico, evidentemente).

Mas, além de apresentar essa proposta de forma surpreendentemente concisa e engajante, o diretor David F. Sandberg se utiliza de sua formação no terror e de seu repertório fílmico para trazer um longa no melhor estilo Sessão da Tarde - do tipo que não fazem mais como antigamente. Os cenários e figurinos teatrais, aliados a elementos inapropriadamente assustadores (ao menos para os mais jovens) e um roteiro que investe no poder do sub-texto (toda a jornada do protagonista pode significar muito mais do que a superfície apresenta) geram um efeito similar às aventuras de Spielberg (como Caçadores da Arca Perdida e E.T.), Goonies e vários outros clássicos do cinema oitentista. É legal perceber como Sandberg está ciente disso, incluindo referências diretas a Quero Ser Grande, por exemplo (talvez a sua inspiração mais óbvia).

Quem está pouco se importando com toda essa cinefilia e só queria ver uma adaptação fiel do personagem para as telonas também deve ter ficado satisfeito: as conexões com os quadrinhos, principalmente a fase dos Novos 52, são evidentes. Além das similaridades entre as tramas, a produção inclui diversas referências ao cânone - que vão do Adão Negro ao Sr. Cérebro

Isso tudo sem mencionar o excelente elenco, protagonizado por um entusiasmado Zachary Levi. Ele consegue passar perfeitamente a fisicalidade de um adolescente num corpo de um adulto, proporcionando ótimas interações com o vilão Dr. Sivana, interpretado por um imponente Mark Strong, e seu irmão adotivo Freddie, encarnado pelo talentoso Jack Dylan Grazer. Também vale destacar a presença dos outros membros da "família Shazam", principalmente Darla, vivida pela carismática Faithe Herman.

Claro que o filme tem seus defeitos: o terceiro ato é um pouco truncado e a ação super-heroica não está entre as melhores do universo - e até seria estranho se estivesse, considerando a irreverência da obra. No fim das contas, Shazam! só tenta ser um bom programa para a família toda, e o fato dele conseguir passar nesse teste com honras o torna o longa mais "impecável" do chamado DCEU (pelo menos por enquanto).

Listas individuais:

Gabriel Santos

  1. Shazam!
  2. Mulher-Maravilha
  3. Batman vs Superman: A Origem da Justiça
  4. O Homem de Aço
  5. Aquaman
  6. Liga da Justiça
  7. Esquadrão Suicida

José Gabriel Fernandes

  1. Shazam!
  2. Mulher-Maravilha
  3. Aquaman
  4. O Homem de Aço
  5. Liga da Justiça
  6. Batman vs Superman: A Origem da Justiça
  7. Esquadrão Suicida

Pedro Henrique Figueira

  1. Mulher-Maravilha
  2. Shazam!
  3. Aquaman
  4. Batman vs Superman: A Origem da Justiça
  5. Liga da Justiça
  6. O Homem de Aço
  7. Esquadrão Suicida

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Digite seu nome aqui