Entre todos os filmes que estavam em cartaz essa semana, me chamou atenção o fato de uma releitura da lenda do Rei Arthur estar indo tão mal na bilheteria. Mesmo que não seja um filme tão esperado, os trailers mostravam uma história bem diferente da que conhecemos, além de uma autenticidade, já característica de Guy Ritchie.

O que mais chama atenção na produção é sua montagem e edição, que ajudam a tornar a narrativa mais dinâmica. A passagem de tempo ou até mesmo a explicação de um plano ficam mais interessantes com esse recurso, mas seu uso se torna excessivo com o tempo.

Outro elemento importante é o som, onde a música de fundo é responsável por tornar as batalhas mais frenéticas e dramáticas. Os graves também estão muito presentes, dando um impacto efetivo desde sua primeira cena.

Seu visual também não fica para trás. Ele conta com uma boa remontagem do período em que a história se passa, através do figurino, construções, mas com a inclusão de elementos fantasiosos. Entre eles monstros, seres mágicos e os próprios magos. O universo criado entra de cabeça em um mundo que foge da nossa realidade, o que permite contar a história sem se preocupar com a veracidade dos acontecimentos.

A história é guiada pela Excalibur, o que a torna tão importante quanto um personagem. O poder que a espada exerce sobre seu usuário é grandioso o suficiente para ser justificada como uma lenda, resultando em ótimas cenas de ação.

Vemos o desenvolvimento de Arthur ao longo do filme, e acompanhamos sua trajetória desde sua infância. Sua origem como líder de uma gangue tem um peso na história e reflete na sua personalidade, agindo na maioria das vezes como um rebelde.

O que me incomoda no protagonista são as piadinhas que faz, muitas das vezes, em momentos errados. O filme tem o mesmo problema que o universo Marvel nos cinemas, onde a comédia destoa do tom apresentado, e quebra toda dramaticidade que estava sendo construída.

Os personagens que acompanham Arthur são muito pouco explorados, tanto nas suas personalidades quanto nas habilidades em batalha. Eles sempre agem como peões que ajudam o herói, mas que no fim é ele quem resolve tudo com o poder da espada.

Uma das exceções é a maga interpretada por Astrid Bergès-Frisbey, uma figura parecida com Merlin e tão importante quanto nesse primeiro filme. Suas habilidades são essenciais na trama, além de ajudar Arthur no próprio treinamento para controlar a espada.

Aliás, o próprio Merlin, assim como outros personagens da história clássica fazem falta. Acredito que eles estejam sendo guardados para possíveis produções futuras, já que haviam planos para uma franquia.

O vilão, interpretado por Jude Law, convence pelo seu sangue frio e obsessão por poder, mas senti falta de uma ameaça maior no decorrer da história, já que o confronto de verdade só acontece no final. Inclusive, o terceiro ato do filme desaponta pelo excesso do uso da computação gráfica, parecendo uma cena de videogame.

Outro elemento importante que não está presente é o sangue. Mesmo nas cenas mais violentas, sua ausência diminui a gravidade que elas normalmente teriam. Isso provavelmente é resultado da classificação baixa do filme, que deixaria as batalhas mais atrativas e realistas se fosse mais alta.

Em geral, Rei Arthur funciona como blockbuster, incluindo os elementos grandiosos, e até exagerados, que este tipo de gênero costuma ter. Pela proposta que apresenta, o filme pode satisfazer aqueles que gostam das produções de Guy Ritchie, já que Rei Arthur segue o mesmo caminho. Por outro lado, isso pode afastar aqueles que procuram uma história mais fiel à original. Eu gostaria de ver esse universo se expandindo nos cinemas, mas é muito difícil isso acontecer se depender do fracasso na bilheteria.

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