Em um final de semana com todos os olhos voltados para os painéis da Warner Bros. e Marvel Studios na San Diego Comic-Con, estreou um anime bem peculiar, mas que conseguiu chamar minha atenção. The Reflection, mas popularmente conhecido como “anime do Stan Lee” chegou bem depois de todos que estreavam na temporada de julho. Mesmo não sendo bem recebido pelo público em geral e conseguindo apenas 5.04/10 no site MyAnimeList, esta produção é bem mais promissora do que parece.

Para começar, o visual do anime é bem diferente de tudo que eu já vi. Ele mistura características minimalistas com um estilo que lembra pop art, além dos personagens terem traços mais simplificados do que estamos acostumados. Em alguns momentos parece que estamos “assistindo” a uma história em quadrinhos, inclusive com os balões de ação marcantes. Mesmo sem os olhos grandes clássicos das animações orientais, ele ainda consegue captar sua essência, não se tornando um “anime americanizado”.

Além disso, a trilha sonora também me chamou atenção, trazendo um tema empolgante e ao melhor estilo do Universo Cinematográfico da Marvel. Entre as músicas desse primeiro episódio, tivemos “Sky Show”, cantada por Christopher Braider e que provavelmente deve se tornar um dos temas dessa série. Tanto o ritmo quanto a própria letra combinam com a proposta, além de se encaixar nas cenas apresentadas.

Em relação a história, a temática dos super-heróis foi abordada de uma forma bem realística, tendo uma grande participação da mídia e do governo. Se super-poderes existissem na vida real, eles teriam uma recepção bem próxima a essa. A forma como os heróis e vilões são vistos pela sociedade deve ser um tema debatido, além de tratar sobre preconceito relacionando os vilões aos rejeitados pela sociedade.

Fomos apresentados a dois heróis principais e que trabalham da sua maneira. Enquanto um tenta combater o crime sem ser notado, o outro atrai a atenção de muitas pessoas, fazendo daquilo um verdadeiro show. Ainda temos os vilões bobos e que dão menos trabalho, além de outros mais elaborados e com camadas que devem ser desenvolvidas ao longo dos episódios. Também contamos com a personagem principal: uma garota que nos conduzirá pela história investigando a origem desses poderes, já que também foi afetada por isso. Podemos acompanhar sua ascensão ao heroísmo ou ir por um caminho totalmente diferente.

Muitos elementos aqui presentes nos remetem a algo que já nos foi apresentado em outras mídias, principalmente pela Marvel. Por exemplo, o robô azul é uma espécie de Homem de Ferro, o herói com um “X” no rosto e no uniforme lembra bastante os X-Men e existe até temos uma versão da SHIELD. Para completar, esses super-poderes começaram depois que uma fumaça dominou a cidade, e aqueles que foram atingidos por ela foram afetados, lembrando bastante a origem dos Inumanos. Pode ser uma reciclagem de outros trabalhos da Marvel, uma forma de inspiração ou homenagem, mas o que importa é que todos esses elementos funcionam no anime e nos conduzem por uma história envolvente a partir de uma temática que se popularizou nos últimos anos.

Esse gênero está se tornando bastante comum até mesmo nos animes, como One Punch Man ou My Hero Academia, e ter Stan Lee como principal nome por trás de uma produção desse tipo é um grande atrativo. Ele não só participa de toda parte criativa, como também está incluso na história como um personagem. Ele parece estar animado com esse novo projeto, mas isso não quer dizer que saia algo ruim.

As principais críticas que The Reflection vêm recebendo está ligado ao seu estilo visual, que está sendo reprovado por muitos, e realmente causa um estranhamento a primeira vista. Além disso, tudo foi apresentado de forma superficial, sem se aprofundar em nenhum personagem específico, e consequentemente, sem criar vínculo com o público. Neste caso, esse foi apenas o primeiro episódio, e teremos mais 11 para poder resolver isso.

A Marvel já tentou produzir animes anteriormente e o resultado também não havia agradado a muitos, mas eu acho que a equipe por trás de The Reflection é muito competente e já demonstrou isso em outros trabalhos. Por exemplo, o diretor do anime, Hiroshi Nagahama, é o mesmo de Mushishi. De qualquer forma, não acredito que seja uma história para o grande público, principalmente pela forma como o tema é exposto, mas se você é fã do gênero, vale a pena dar uma olhada.

 

 

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