Em 15 anos, Homem-Aranha passou por dois reboots e teve três atores interpretando o protagonista, o que seria motivo para qualquer um dizer que sua imagem está desgastada ou algo do tipo. A grande questão é que nenhum dos 5 primeiros filmes do herói foram produzidos pela Marvel Studios, e agora temos consciência do quanto ela conhece seu personagem. Eu diria que o acordo entre o estúdio e a Sony foi uma das melhores atitudes das empresas, pois finalmente tivemos o filme do Homem-Aranha que todos queríamos ver.

O primeiro acerto foi na escolha do ator. Tom Holland entrega um Peter Parker que precisa lidar com uma prova de espanhol e um assalto ao banco no mesmo dia. Além do carisma do ator, seu personagem é genuíno e age como um adolescente de verdade, incluindo todos os dilemas dessa idade. Os melhores momentos do filme não são as perseguições ou sequências de ação, mas as horas que Peter passa na escola enfrentando problemas comuns, como tentar se enturmar em uma festa ou se declarar para uma garota.

Como todo herói, ele conta com um parceiro, ou melhor, um “nerd do computador” que, além de ser o braço direito do protagonista, é um ótimo alívio cômico. E como todo adolescente, ele tem a Tia May: a figura materna que se preocupa pelo sobrinho sair escondido a noite e andar muito “distraído” ultimamente.

Enquanto não impede assaltos ao banco, Peter tem que lidar com o valentão da escola, que é um tipo diferente do que estamos acostumados. Flash continua sendo o babaca de sempre, que tem inveja de Peter e zoa ele por qualquer coisa, mas não é o garoto forte com jaqueta de futebol americano. Os tempos mudaram e o filme soube adaptar isso muito bem, tanto nas pessoas quanto na própria escola em si. Inclusive, aqui ainda podemos ver diversas homenagens aos filmes de John Hughes, como Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco.

O uniforme também foi um dos pontos positivos em Homecoming. Ele é mais tecnológico que os anteriores, com direito a elementos novos que enriquecem o filme e são explorados nas missões. Por outro lado, isso significa muito poder nas mãos de um garoto de 14 anos, e com ele surgem as grandes responsabilidades. Esse tema é debatido a todo momento e se torna uma das questões mais trabalhadas do protagonista, além de ser quando Tony Stark ganha um peso na trama.

Não se preocupe, o filme não é um “Tony Stark: De Volta ao Lar” como muitos diziam. Ele faz aparições pontuais e importantes para a progressão da história, e nenhum fan-service para os fãs do Homem de Ferro. A escolha de Tony como mentor de Peter funciona perfeitamente por conta dos acontecimentos de Guerra Civil, onde o vemos amadurecer e tomar consciência das suas atitudes, e agora querendo passar esses valores para o garoto em ascensão.

Ainda temos o vilão, que é um dos mais bem construídos da Marvel até aqui. Abutre tem uma ótima motivação, sendo possível entendermos seu lado, mesmo estando errado. Ele é acima de tudo um personagem humano, com todos os erros que estamos fadados a cometer, mas ainda passa a ameaça que precisa para contrastar com o herói.

De Volta ao Lar é tranquilamente o melhor filme do Homem-Aranha, principalmente graças a Tom Holland, que conseguiu passar o Peter Parker mais fiel que pode. E não digo fiel aos quadrinhos, mas a nós. Um dos maiores motivos que faz Homem-Aranha se tornar um dos personagens mais populares é por conseguirmos nos identificar com ele, e o filme conseguiu fazer isso melhor que qualquer outro. Peter não é um bilionário ou um alienígena, é apenas um adolescente que ganhou superpoderes, e podemos nos colocar no seu lugar se estivéssemos na mesma situação.


É claro que nem tudo são flores e eu tenho que citar aqui os problemas que tive durante a sessão. Os pontos negativos não estão no filme, mas sim nas pessoas que o assistem. É cada vez mais comum que o público que vai ao cinema não se comporte como tal e atrapalhe a experiência dos outros. Eu tive o azar de sentar ao lado de pessoas desrespeitosas, que tentavam chamar atenção gritando, fazendo piadinhas e comentários óbvios. Felizmente, não foi o suficiente para tirar meu sorriso do rosto por assistir o Homem-Aranha que tanto queria, depois de 15 anos.

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