Quando pensamos em Vingadores: Guerra Infinita, um dos personagens mais marcantes que nos vêm à cabeça é Thanos, interpretado por Josh Brolin. Além de ser o maior vilão da Marvel Studios, a ligação com o personagem também se deve ao fato do filme ser praticamente dele, pois é quem mais tem tempo de tela, chegando a quase trinta minutos. Porém, além de Brolin, dos diretores e roteiristas, o Titã Louco não existiria se não fosse pelo trabalho da equipe de efeitos visuais, que literalmente deram vida à versão que vimos nos cinemas.

Durante o evento VFX Rio, que aconteceu no início de dezembro no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, o supervisor de efeitos visuais de Guerra Infinita, Kelly Port, apresentou um painel contando todos os detalhes que envolveram a criação do personagem.

Port já contribuiu em mais de 27 filmes em 24 anos na Digital Domain, uma produtora americana de efeitos especiais e visuais para o cinema. Entre seus trabalhos estão TitanicO Curioso Caso de Benjamin Button, Malévola e Vingadores: Ultimato.

Durante o painel, ele revelou que 97% do filme teve a presença de efeitos visuais. Além disso, nove personagens eram inteiramente feitos de computação gráfica, enquanto 24 que usavam algum tipo de efeito. Para isso, foi preciso o trabalho de 2900 artistas e 16 meses de filmagens para que o longa ficasse pronto.

Um dos pontos que Port destacou foi a cena gravada no Brasil, nos Lençóis Maranhenses. O cenário foi usado para criar o planeta Vormir, onde acontece uma dos momentos mais importantes do filme. Além das dunas brasileiras, o local também foi composto por montanhas da Islândia.

Para a criação de Thanos, Kelly Port revelou que a equipe decidiu partir de traços físicos do próprio Josh Brolin. Em seguida, suas características foram modificadas para ficar cada vez mais parecida com o Titã Louco que os fãs já conheciam dos quadrinhos. Durante a apresentação pudemos ver como foram feitos os movimentos do personagem, além de conferir um super zoom no rosto de Thanos, onde notamos detalhes impressionantes como rugas e poros.

Outro momento que impressionou a todos foi quando Port mostrou uma cena de teste onde vemos Thanos, em close, mexendo os olhos. Apesar de poucos segundos, esse trecho revela o personagem se movimentando de forma muito realista, além de explorar melhor suas expressões através dos olhos. Port contou como os diretores reagiram à cena quando assistiram pela primeira vez:

“Nós mostramos esse teste para os Irmãos Russo e eles ficaram impressionados. Eles disseram: ‘Nós temos que usar isso em alguma cena!’. Mas no fim acabou ficando de fora do corte final”.

Outra questão que surgiu durante a apresentação foi em relação à cor do vilão. Quando o primeiro trailer do filme foi revelado, algumas pessoas estranharam a mudança no tom de pele do personagem, mas isso foi proposital graças a tecnologia usada para iluminação. Port demonstrou diversos testes de como a pele de Thanos se comportava em diferentes ambientes, resultando no efeito visto no trailer com as variações de cor.

Para fazer a captação dos movimentos de Josh Brolin foram usados 150 pontos no rosto do ator. Kelly explicou que, primeiro, foi usada uma máscara em baixa resolução e depois outra em alta resolução. Brolin também precisou fazer alguns movimentos complexos para que o sistema aprendesse como seu rosto se movimentava, como demonstra o vídeo abaixo:

Para finalizar o painel, assistimos a sequência inicial de Vingadores: Guerra Infinita de duas maneiras diferentes: a primeira com todos os efeitos visuais e, depois, sem nenhum efeito. Com isso, percebemos telas verdes e azuis, cabos usados para segurar os atores, Josh Brolin com um enchimento no braço para ficar mais parecido com o Thanos, entre outras coisas. Também tiveram momentos engraçados, como em uma cena onde nada acontece, quando na verdade seria a luta entre Thanos e Hulk. Ainda é possível perceber o quanto os atores tiveram que se esforçar para passar emoção quando se parece estar muito ridículo.

Quando perguntamos a Port qual seria o futuro do VFX e o que poderíamos aguardar dos efeitos visuais no futuro, ele respondeu de forma otimista que o trabalho ficará ainda mais dinâmico muito em breve:

“Eu acho que o próximo passo será explorar tecnicamente a capacidade de fazermos muitos filmes de forma muito rápida. Neste último longa tivemos atores usando roupas de captura de movimento e câmeras no rosto para capturar as expressões faciais, mas esses dois casos tiveram que ser processados depois, colocados no rosto dos atores e serem renderizados em alta qualidade. Eu acho que em breve veremos isso na mesma hora, direto do set. Então o ator poderá ver sua própria performance logo depois da cena ser filmado e os diretores também. Isso vai facilitar muito as coisas”.

Hoje em dia a tecnologia avançou a tal ponto que é possível criar até mesmo coisas ultrarealistas usando computação gráficas. Para Port, hoje não há limites para os efeitos visuais, levando em conta as condições do projeto:

“No início, os efeitos visuais eram muito caros, como em simulações de fogo e água. Mas hoje em dia coisas como essas são feitas o tempo todo. O hardware dos equipamentos provou que é capaz de fazer todas essas coisas de forma muito rápida e eficiente. Eu levei meses para criar o Thanos e quase dois anos para refiná-lo, que é um personagem fotorealista que foi capturado da performance de um ator de uma maneira muito realista. Então é difícil imaginar se alguma coisa não é possível de ser feita com tempo e poder de processamento suficientes.”

Kelly Port também está trabalhando em Vingadores: Ultimato, que tem estreia prevista para 25 de abril de 2019.

O VFX Rio aconteceu entre os dias 3 e 5 de dezembro na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O evento também contou com a presença do supervisor de efeitos visuais de O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos, Max Wood.

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