“Em tempos de política, o amigo vira inimigo”, diz um dos atores do documentário Camocim, que acompanha a jornada política da jovem Mayara Gomes. Ela organiza uma campanha honesta durante as eleições municipais de Camocim de São Felix – PE, para eleger o candidato e colega César Luceno. Mas durante o processo, ela toma consciência da dificuldade em participar de uma disputa marcada por hierarquias, compras de votos e clientelismo.

Apesar de ser um documentário, Camocim é feito nos moldes de um filme. A direção do francês Quentin Delaroche constrói quase que uma trama, ao mesmo tempo que acompanha toda a campanha política para César se tornar vereador. Mayara, que ganha o nome de Maura no longa, se torna uma personagem dentro dessa proposta.

Honesta, profissional e uma filha que ajuda em casa, Mayara se relaciona bem com a câmera e fica bem em tela. Porém, ela é a única que consegue esse êxito, pois as pessoas que são filmadas olham diversas vezes para a câmera, como se estivessem incomodadas com a presença dela. Inclusive muitas delas foram dirigidas e também tem a mesma reação com o objeto em cena.

A forma de filmar é bastante amadora, mas funciona no geral. O grande incômodo na parte técnica é a saída de som, que trazem muitos ecos e em alguns momentos atrapalha a compreensão do que se está falando.

Mas Camocim tem pontos positivos em sua abordagem. Acompanhamos todo o desdobramento das eleições, nos revelando como a total honestidade é quase inexistente dentro do meio. Um reflexo das nossas campanhas, onde o elemento dos Vermelhos X Azuis vira quase que uma briga de torcidas, mostrando o desrespeito com a opinião política do outro. O longa também apresenta outros pontos interessantes: os dingos dos candidatos, que são paródias de canções famosas, e como tudo isso mobiliza toda a pequena cidade.

Camocim apresenta alguns pontos positivos. Mas por ser um documentário muito amador, sua questão técnica atrapalha o resultado final.

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