O cineasta Michael Bay é conhecido por filmes explosivos, ganhando maior projeção internacional com a franquia Transformers. Já Ryan Reynolds provou em trabalhos anteriores que conta com um ótimo timing para comédia com ação. Esquadrão 6 é o encontro entre esses dois estilos, mas a execução não se sai tão bem quanto a proposta.

Na trama, um bilionário arrogante forja a própria morte e reúne pessoas habilidosas para trazer justiça ao mundo com as próprias mãos. Desde a sequência inicial, há toda uma construção sobre a ideia de ser um fantasma, assim como são discutidos os pontos positivos e negativos da vida que levam. Porém, por mais que o conceito fique na cabeça do público, ainda é feito um trabalho raso, inclusive com decisões pouco lógicas do roteiro.

Escrito por Paul Wernick e Rhett Reese, o longa é expositivo em todos os aspectos, subestimando o espectador até nas coisas mais simples. Existe uma tentativa de fazer críticas sociais, entretanto os comentários xenofóbicos sobre o Oriente Médio não ajudam a sustentá-las. Também é possível notar um problema quanto ao tom, pois ele quer ser uma paródia do gênero, sem deixar de lado a seriedade. Como resultado, temos um humor intrusivo, insistente, imaturo e exagerado. Dessa forma, é impossível nos importarmos com os personagens nos momentos de tensão, pois há sempre algo que quebra o clima.

A edição é outro ponto problemático. O primeiro ato conta com uma montagem confusa e frenética, o que não ajuda a entendermos o que está acontecendo durante a perseguição. Caso você tenha sobrevivido aos vinte primeiros minutos, durante o desenvolvimento se propõe a explorar os personagens individualmente, de forma arrastada e sem contemplar a todos, apenas cumprindo um protocolo. Já o último ato é muito longo e cheio de excessos.

Também não podemos dizer que Bay está em sua melhor forma comandando sequências de ação. Ele deixa escapar erros de continuidade e suas cenas explosivas estão artificiais, transparecendo que estamos em um set de filmagem. Há artifícios repetitivos, como a câmera lenta, passando a sensação de estar no piloto automático. Por outro lado, os momentos mais contemplativos, filmados em plano geral, funcionam, assim como a inventiva sequência no barco envolvendo um imã.

Vale destacar a presença de elementos marcantes da cultura pop nesta produção, principalmente na trilha sonora, através de escolhas modernas. Ela ainda aparece por meio de referências que saem das bocas dos atores, em sua maioria relacionadas ao cinema, como frases marcantes e personagens clássicos.

Na teoria, cada um dos seis integrantes conta com uma função dentro das missões, o que não acontece na prática. O tempo de tela mal dividido acaba dando mais destaque para alguns e subaproveitando outros, como é o caso de Cinco (Adria Arjona) e Seis (Dave Franco). Já Quatro (Ben Hardy) parece que existe apenas como uma desculpa para inserir sequências de parkour. Elas até que são legais, porém ele não oferece nada além disso.

A dinâmica do grupo também não funciona pela falta de química e carisma dos personagens. Uma das poucas exceções é Sete (Corey Hawkins), o que mais se distancia da equipe e cria bons conflitos. Ryan Reynolds está ótimo como sempre, apesar de seu personagem ser uma caricatura exagerada de papéis anteriores, mais marrento e boçal.

Como todo filme do Michael Bay, Esquadrão 6 é barulhento e megalomaníaco, no entanto há pouca coesão narrativa. Com tantos personagens e pouco desenvolvimento, ele mais parece uma sucessão de sequências de ação com um pouco de história no meio. No fim, pode ser o que os fãs esperam de uma produção como essa, mas ainda fica abaixo de seus outros trabalhos.

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