A marcha de um grande exército dá partida no episódio. Moradores do norte vêm de longe para presenciar sua chegada. Uma câmera estável enquadra o espaço entre as duas fileiras de homens em movimento, até que saltam na tela os dois heróis: Jon Snow e Daenerys Targaryen… Rei do Norte e Khaleesi… Gelo e Fogo.

Olhares desconfiados entre soldados e camponeses são trocados, indicando que nem todos os lugares estão ansiosos por receber uma visita da “quebradora de correntes”. Jon Snow teria que se explicar para o seu povo: por que jurou aliança a uma forasteira? Ou melhor, por que abriu mão da coroa para colocar a filha de um tirano no poder?

De fato, é o que Jon faz ao longo dos próximos minutos. Isso e montar num dragão – sequência que consegue passar muito bem a instabilidade e a adrenalina ao voar sobre uma criatura daquelas. O efeito se deve aos enquadramentos amplos e o forte vento que é evidenciado, além, é claro, do fato do piloto só poder se prender a algumas escamas. É uma boa viagem, mas quem reclamou da correria em linha reta de Rickon e da super-velocidade de Gendry deve ter pensado que qualquer um naquela posição não conseguiria se segurar e cairia em queda-livre (certamente foi o que eu pensei). Mas o que seria a fantasia sem a suspensão da realidade, não é mesmo?

Tirando isso do caminho, vamos ao que interessa: a volta de Game of Thrones não é particularmente empolgante ou surpreendente. O roteiro se contenta em continuar a trama de onde parou, promovendo encontros e reencontros, e costurando as relações que provavelmente vão ser importantes no decorrer da temporada. Segredos são revelados (nenhum que não conhecíamos) e possíveis inimizades já são sugeridas.

Tudo isso é bom para o programa, pois indica que não veremos desenvolvimentos tão apressados quanto na última temporada. Por outro lado, não garante um episódio tão grandioso quanto a espera que o precedeu. Mas, não culpemos a série, porque, provavelmente, isso seria inalcançável. É bom ver que os showrunners estão colocando o ritmo da história acima do clamor popular – é o caminho que qualquer obra independente deve seguir.

Nem por isso é um episódio que carece de fortes emoções. Essas, mais uma vez, ficam por conta das interações entre os personagens, que são sempre recompensadoras para os fãs da série. Com exceção de uma fala ou outra que soa fora de lugar, tudo é conduzido com bastante habilidade, não decepcionando nas interações entre, por exemplo, Sansa e Tyrion, ou Jon Snow e Sam.

Aliás, vale destacar um momento entre Sam e Daenerys, que mostra o que torna Game Of Thrones tão especial: o elemento humano no meio das brutais engrenagens daquela conjuntura política. Se esse for o norte da temporada, vai ser uma despedida digna de uma das mais populares séries da atualidade.

Concluindo, Winterfell é um episódio sólido, apesar de pouco memorável. Tem bons momentos, que, no geral, indicam que o melhor, na verdade, está por vir. Aliás, o final pode ser o maior exemplo disso, nos remetendo diretamente ao primeiro episódio da série e preparando o terreno para um acerto de contas bastante satisfatório. Agora falta saber se o próximo capítulo realmente vai alcançar as nossas expectativas.

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