Nada surpreendente aqui: o episódio continua de onde o último terminou, com Jaime reaparecendo como persona non grata em Winterfell. Um rápido julgamento (elegantemente decupado, diga-se de passagem) resolve sua questão de maneira bem positiva. “Precisamos de todos os homens que conseguirmos recrutar”, ressalta Jon Snow. Não exatamente uma resolução de filme de tribunal, mas não deixa de ser verdade. Daenerys ainda não se convenceu a perdoar o assassino de seu pai, apesar de não relutar. Tudo conspira para uma harmônica e longa reunião entre Jaime e seus amigos mais queridos (Tyrion e Brienne, para ser mais exato). No caminho, se resolve com Bran (que está pleno demais para guardar rancor) e conhece algumas figuras (seu divertido encontro com Thormund deve ser o mais memorável) – tudo muito na paz, sem nenhuma tensão ou risco eminente. Esse é o tom do episódio como um todo: quase uma sitcom com os queridos personagens de Game of Thrones.

Se, por um lado, essa abordagem não traz a intensidade ou subversão dos tempos gloriosos da série, por outro é bastante satisfatório para os fãs, além de permitir que o elenco realize seu trabalho com proeza. O grande destaque aqui é Nikolaj Coster-Waldau (transmitindo uma franqueza tocante), com menção honrosa ao sempre ótimo Peter Dinklage. Sophie Turner também tem bons momentos como Sansa, ainda mais quando contracena com Emilia Clarke, que deve passar bastante inconformismo como Daenerys. Temos que mencionar também Gwendoline Christie, Alfie Allen e Maisie Williams – todos conseguem abraçar bem seus momentos no episódio, e até os que causam menos impressão cumprem seus papéis competentemente. As trocas aqui feitas são muito importantes para as relações entre essas pessoas e o desenrolar da trama, deixando pontas soltas para possíveis conflitos no futuro (como a intensificada rixa entre Daenerys e Sansa). Como essas serão resolvidas? Não há como saber agora, mas se pegarmos de exemplo a questão de Jaime, tudo pode ser concluído numa discussão de três minutos.

O roteiro está investindo tanto na grandiosa guerra contra os White Walkers que, honestamente, todo o resto perde peso. Muitos devem achar plausível (e até correto), sendo o evento principal do seriado, construído ao longo das sete primeiras temporadas. Só que o que torna Game of Thrones especial não é isso: são os embates entre os humanos, que, infelizmente, parecem inexistir e, quando existem, são deixados de lado. Essa decisão ignora o caos que é viver em sociedade, ainda que diante de uma tragédia em escala global. Pensar que aquelas pessoas – que temporadas atrás estavam literalmente se matando – iriam se juntar para resolver um grande problema, sem nenhum conflito de interesse maior, é ser otimista e, honestamente, sem graça demais.

Ainda há tempo para a temporada surpreender e nos deixar comprimidos em nossas cadeiras (como foi na Batalha dos Bastardos), mas A Knight of the Seven Kingdoms está bem longe de fazer isso. Está mais para um agrado aos fãs dos personagens, com diálogos bem amaciados e evocativos. Nada tão intrigante quanto o que víamos nas primeiras temporadas também, pois os roteiristas se confortam na autorreferência.

Contudo, não há muito para se reclamar deste episódio: temos nossos personagens favoritos (tirando a Cersei) reunidos, aproveitando o pouco de tempo que têm antes do fim do mundo. O potencial do elenco é bem aproveitado e as interações são recompensadoras, mas não o suficiente para tirar a sensação de que os melhores dias da série estão no passado, quando tudo podia dar errado e os diálogos eram suficientes para nos cativar (e não necessariamente pelos seus participantes). Uma continuação consistente em relação ao primeiro episódio – que mantém o nível de excelência técnica, vale adicionar – mas nada efetivamente merecedor da nossa obsessão. Pelo andar da carruagem, acabaremos num mar de fan service, sem ter no que apoiar… Espero estar errado, porém. Game of Thrones merece muito mais do que isso.

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