Quando o assunto é projeto original Netflix, o serviço de streaming é reconhecido, principalmente, por suas produções em live-action. Porém, a plataforma vem investindo em outros tipos de conteúdos para diversificar seu catálogo, como seu primeiro longa-metragem animado: Klaus. Ele parte de uma premissa muito válida, onde a origem do Papai Noel é reimaginada, desta vez, com foco nas cartas. Felizmente, não é apenas a ideia que é boa, acertando também na realização.

Na trama, o carteiro egoísta Jesper é mandado pelo seu pai para a pequena cidade de Smeerensburg como castigo devido a sua falta de responsabilidade. Ele deve enviar 6000 cartas no período de um ano, porém, precisa lidar com o clima de guerra entre os habitantes. É então que ele faz amizade com o lenhador Klaus e começa a mudar o ambiente.

A animação tem como proposta apresentar como surgiu a história do Papai Noel que conhecemos e, durante a trama, consegue marcar todos os checklists para isso. O roteiro é bem engenhoso e eficiente no sentido de encaixar uma justificativa convincente para todos os elementos dessa lenda, como as renas, a risada clássica e a lista dos malcriados. É tudo tão perfeitamente colocado que poderia facilmente ser a origem oficial do bom velhinho. Os roteiristas Zach Lewis, Jim Mahoney e Sergio Pablos – estreando como diretor – simplesmente conseguiram pensar em tudo.

Apesar disso, o protagonista da história é Jesper, que parte do já conhecido arco de redenção, onde um individualista passa a se importar com as pessoas. O seu carisma e os obstáculos criativos de sua missão são fatores que estimulam o espectador à acompanhar a resolução dos problemas. Do outro lado, Klaus começa como alguém temido e perigoso por conta de sua aparência, quando, na verdade, tem um bom coração. Ele acaba sendo um coadjuvante da própria história, apesar de não ser um problema de roteiro, já que é intencional. Mesmo assim, isso não significa que o personagem não tem profundidade, pois ainda está no centro das sequências mais emocionantes.

A população da cidadezinha é formada, basicamente pelas famílias Krums e Ellingboes, que contam com uma tradicional rivalidade. Esse elemento é usado como alívio cômico devido ao exagero da hostilidade, assim como tem grande importância narrativa, tratando de temas como gentileza e arrogância.

A animação fica por conta do SPA Studios, que mescla muito bem as técnicas de animação 2D e 3D. Os personagens são bem caricatos, com formas e tamanhos variados, além de um estilo cartoon que ajuda a torná-los mais expressivos. Também é possível notar um uso de luz e sombra mais evidente, dando mais profundidade. Para completar, há cenários atmosféricos que ressaltam a frieza da cidade e, posteriormente, sua transformação para algo mais acolhedor.

A trilha sonora se destaca em momentos pontuais, como em pequenas montagens divertidas, assim como em sequências mais dramáticas. A música principal, “Invisible“, é o grande ponto alto pelo seu lado emotivo. Também vale mencionar escolhas mais modernas, como “How You Like Me Now?” e “Don’t Mess With The Postman“.

Na dublagem brasileira, o estúdio responsável foi o Delart, com direção de Manolo Rey. A escolha do elenco é um acerto, com Rodrigo Santoro, Daniel Boaventura e Fernanda Vasconcellos – todos com experiências anteriores – onde mal percebemos os atores, pois os personagens ficam em primeiro lugar. Como de costume, a linguagem é coloquial e divertida, mas o que impressiona mesmo é a naturalidade das falas.

Como todo bom filme desta temática, Klaus não poderia deixar de lado o espírito do Natal. Sua mensagem sobre gentileza é genuína e nos enche de esperança. É uma ótima opção para se emocionar com toda a família. Como história de origem, ele cumpre muito bem seu papel, explicando tudo e mais um pouco que sempre nos perguntamos sobre o Papai Noel. Certamente vai agradar sua criança interior.

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