Depois de 3% e O Mecanismo, a nova série brasileira original da Netflix surgiu com uma temática diferente das anteriores, apostando dessa vez no humor. Para isso, foi escolhido um assunto que nosso país conhece muito bem, mas que também existem referências no exterior. Sob o comando de Felipe Braga, Samantha! consegue divertir o público e ainda discutir temas atuais.

Na trama, Samantha (Emanuelle Araújo) é uma ex-apresentadora infantil dos anos 80 que faz de tudo para voltar a ser famosa. Porém, o mundo não é mais o mesmo e ela precisa lidar com essas mudanças para conquistar novamente seu público.

Apesar de se passar nos dias atuais, a série conta com flashbacks de Samantha na infância, interpretada por Duda Gonçalves, conseguindo resgatar a nostalgia da época. Existem diversas referências dos anos 80, principalmente sobre a televisão brasileira, assim como pode ser visto em Bingo: O Rei das Manhãs, de Daniel Rezende. Muitas vezes elas aparecem em forma de crítica, como nos absurdos da publicidade e o mascote chamado Zé Cigarrinho (Ary França).

Os episódios trazem uma grande diversidade das formas como a protagonista tenta voltar à fama, sempre fazendo paralelo com a atualidade. Elas vão desde reality shows até a tentativa de se tornar uma digital influencer, o que faz um bom paralelo entre TV e internet. Além de discutir sobre um meio ter substituído o outro, também é questionado a definição de fama.

Emanuelle Araújo está à vontade no papel principal, tendo muita presença em cena. Ao seu lado, um dos destaques é o ator Douglas Silva, que interpreta Dodói, ex-marido de Samantha e ex-jogador de futebol que acabou de sair da prisão. Além da excelente química, a dinâmica entre os personagens é muito bem explorada, rendendo ótimos momentos quando estão juntos.

Também vale destacar o personagem Marcinho (Daniel Furlan), empresário de Samantha. O ator conta com um ótimo timing cômico, lembrando sua performance no programa Choque de Cultura e se tornando uma das melhores coisas da série.

Apesar de estarem representando arquétipos, os personagens são desenvolvidos ao longo dos episódios. Um dos pontos fortes está no carisma, fazendo com que o público torça por eles, apesar de não serem exatamente ótimos exemplos de pessoas.

A montagem da série também chama atenção, como pode ser visto logo na primeira cena e na forma como é usado o recurso do flashback. Os números musicais, principalmente da Turminha Plimplom, conseguem captar a essência dos anos 80 tendo como influência Balão Mágico, Xuxa e outros.

Samantha! também se destaca pelo seu ritmo. Enquanto grande parte das produções da Netflix contam com uma longa duração e poderiam ser mais diretas, aqui temos uma estrutura mais organizada e perfeita para maratonas. Além do tempo – são sete episódios de aproximadamente 30 minutos cada – outro ponto que ajuda são os ganchos deixados no fim, incentivando o espectador a continuar.

Ela é pensada de forma que os episódios funcionem isoladamente, mas juntos formam um arco fechado. Mesmo assim, ainda existem algumas subtramas que não acrescentam muito à história e poderiam ser mais interessantes.

Com uma segunda temporada sugerida no fim da série e já confirmada pelo diretor principal, Luis Pinheiro, Samantha! pode ser considerada um dos destaques brasileiros do serviço de streaming, com potencial para se tornar ainda melhor.

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