Durante o painel Storytelling para Serviços de Streaming, que aconteceu no último dia 24, no Rio2C 2019, produtores de séries brasileiras da Netflix se reuniram para falar sobre as novidades que estão chegando à plataforma.

Representando a série Irmandade, o criador e showrunner, Pedro Morelli, deu detalhes sobre a produção, que acabou de ser filmada. Ele falou sobre a importância da autenticidade do projeto, que fala sobre o universo das facções criminosas:

“A gente tentou ser o mais autêntico possível, abordando isso tanto na escolha do elenco, quanto na forma de filmar isso, nas locações e tudo mais. Acredito que essa autenticidade que a gente buscou é o que vai tornar a série universal e global, e se comunicar com o mundo inteiro”.

Uma das locações foi um presídio, em Curitiba, que estava funcionando durante as filmagens. Pedro explicou que a gravação aconteceu em um pavilhão que estava desocupado, enquanto no pavilhão ao lado estavam presos reais. Durante o painel, foi exibida uma cena de rebelião no local, protagonizada por Seu Jorge. Morelli contou como foi filmá-la:

“O nome da facção na nossa série é Irmandade e os presos ali de verdade, vizinhos do nosso set, gostaram da Irmandade. No meio da rebelião estavam gritando também o nome da nossa facção fictícia, então teve uma interação ali”.

Pedro ainda explicou porque escolheu criar uma trama com essa temática. O objetivo é fazer com que as pessoas se aprofundem mais sobre ela, colocando o entretenimento em primeiro plano. Segundo ele, isso conduz a audiência a mergulhar na história e começar a entender um pouco mais sobre esse universo:

“Esse é um tema que todo mundo conhece, já teve algum contato com isso, mas a grande maioria das pessoas têm um contato muito superficial com esse tema. Eu queria muito trazer para o público, aproveitando esse alcance incrível que a Netflix tem, um pouco mais de profundidade sobre esse assunto”.

Na história, uma mulher é coagida por um policial a se infiltrar em uma facção criminosa e passar informações para a polícia. Pedro classifica a série como uma mistura de aventura com espionagem, onde a personagem corre o risco de vida o tempo todo. A produção também contará com o paradoxo dessas pessoas que começaram reivindicando direitos humanos e se transformam em grupos desumanos.

A protagonista da série, Cristina Ferreira (Naruna Costa) é irmã de um dos fundadores da facção, Edson (Seu Jorge). Morelli explicou a decisão de contar essa história a partir do ponto de vista de uma mulher. Segundo ele, o formato mais padrão seria contar através da ótica de um policial ou um jornalista investigando a facção, mas havia o risco da série cair em um certo moralismo. Outra possibilidade seria contar pela visão dos próprios criminosos, mas havia o receio de glamourizar a violência:

“Acho que foi uma escolha muito acertada, porque traz também diversidade, colocar uma mulher negra como protagonista da série. É a história dela com o irmão, a Naruna [Costa] e o Seu Jorge. Eles são nossos protagonistas e acho que foi uma escolha de recorte bacana pra tentar uma coisa diferente”.

Com oito episódios produzidos pela O2, Irmandade ainda não tem previsão de estreia na Netflix.

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