Em novembro, a série Ilha de Ferro chegou ao serviço de streaming do Grupo Globo, o Globo Play, impressionando o público pelos seus efeitos visuais. Por isso, a superprodução não poderia ficar de fora do VFX Rio, que aconteceu no início de dezembro na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O painel contou com a presença dos supervisores de efeitos visuais Uno de Oliveira e Wesclei Barbosa, que contaram todos os detalhes do projeto.

Durante a apresentação foi revelado que a plataforma de petróleo que vemos na série não existe. Ela foi inteiramente feita por computação gráfica, em um processo que levou sete meses até ficar pronta. Além disso, a equipe de efeitos teve um desafio a mais pelo fato de Ilha de Ferro não usar câmera parada, o que torna o trabalho de pós-produção ainda mais complicado. Wesclei Barbosa nos contou que uma das cenas mais difíceis envolvia um helicóptero, no último capítulo da série:

“A gente pediu para o diretor adiantar ela o máximo que ele pudesse. Nós recebemos, mais ou menos, no meio da produção e ela veio até o final da produção sendo montada, sendo feita, porque ela é o ápice da história, né? É o momento em que os vilões começam a perder. Então tinha que ser muito bem contada, porque ninguém imaginava que aquilo ia acontecer”.

Foram 14 meses de trabalho para produzir os 12 capítulos da série. Para isso, foi preciso uma equipe composta por 2 supervisores e 26 designers, resultando em cerca de 7200 takes em CG – o que representa 65% de toda produção. Em média, cada capítulo conta com 30 takes feitos inteiramente em computação gráfica.

Barbosa nos explicou que os efeitos visuais são caros, principalmente, pelo tempo que levam para serem produzidos. Ele falou sobre a importância da sua função como supervisor, ao lado de Uno de Oliveira:

“A nossa missão como supervisor é tentar baratear isso o máximo possível. Achar as melhores soluções, como no set de gravação, a maneira mais limpa de gravar sem precisar gerar tanto trabalho na pós. E na pós você tem as melhores soluções em termos de software e estratégias de construção da cena, então isso reduz o custo”.

Para a segunda temporada, que já está em produção e tem estreia prevista para o segundo semestre de 2019, o time vai construir uma nova plataforma de petróleo, que ficará localizada em Sergipe. Também é esperado que a qualidade fique ainda melhor, incluindo melhoria de assets e processos, como conta Barbosa:

“A natureza do artista é ficar inconformado com seu trabalho. Você sempre termina uma coisa e pensa: ‘puxa, eu poderia ter feito melhor’. E a gente está com esse tempo agora, em função de ainda estarmos gravando a segunda temporada, então a gente quer melhorar os assets. A melhora vem de texturas, shaders, otimização de malha e criação de outros assets que a segunda temporada exige. A gente terá uma segunda plataforma e, agora que nós sabemos como fazer, podemos ganhar tempo e reduzir o uso dos recursos e só colocá-los nas situações onde a gente precisa realmente”.

VFX Rio aconteceu entre os dias 3 e 5 de dezembro, na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. A Globo também levou para o evento a equipe de efeitos visuais da novela Deus Salve o Rei (clique aqui e confira nossa matéria).

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