A 19ª edição da Bienal Internacional do Livro Rio se encerrou neste último domingo (08). O evento foi marcado por vários bate-papos, encontros com autores e sessões de autógrafos mas, principalmente, pelo crescimento de público e a reafirmação da democracia.

Na coletiva de imprensa sobre o balanço final, o presidente do sindicado Marcos da Veiga Pereira começou agradecendo a procuradora-geral da República Raquel Dodge e aos ministros do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. O evento sofreu ataques de censura por parte do prefeito Marcelo Crivella, e os ministros suspenderam a decisão judicial que permitia a apreensão de livros na Bienal.

“Eu acredito que a educação vai transformar a nossa sociedade. Acredito que o livro detém uma grande parte dessa transformação”, reforçou o presidente. “Todos fizeram transcender a Bienal. Ela nunca foi tão nacional e internacional.”

Durante esse balanço, também estiveram presentes Mariana Zahar, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livro (Snel); Tatiana Zaccaro, diretora-geral do evento; e a autora Thalita Rebouças. Elas não só comentaram sobre a força do evento, como também se mostraram felizes com o resultado.

“A Bienal chega no último dia como um evento plural. Plural pois atinge a criança das escolas, os pais, adultos e idosos, e tratando de todos os temas, com igualdade e sabedoria”, disse Tatiana.

“Eu chamo isso aqui de festa. Não é só uma feira, é uma festa muito democrática em que o autor se sente em casa”, elogiou Thalita. “Sou muito grata por sempre estar aqui.”

“Acho muito importante a decisão do STF porque espero que crie uma jurisprudência para que essa censura, não há outra palavra, não volte a ocorrer”, afirmou Mariana. “Espero que a gente esteja vivendo um momento que não permita voltar a ditadura ou qualquer outro período da história”.

Na foto, Mariana Zahar, Tatiana Zaccaro, Marcos da Veiga Pereira e Thalita Rebouças, durante a coletiva da Bienal – Foto: Reprodução/Jornal Hoje em Dia

Segundo dados prévios, mais de 600 mil pessoas visitaram o evento. Na pesquisa, a média de vendas ficou bem acima da edição anterior, e a estimativa foi de que mais de 4 milhões de livros foram vendidos ao longo desses dez dias. Na coletiva, foi dito que a tentativa de censura não prejudicou o evento, só ajudou a alavancar e chegar no patamar de uma Bienal histórica.

No final, Thalita leu o texto que faz parte do Manifesto que reuniu mais de 70 autores, como Babi Dewet, Bruna Vieira, Felipe Neto, Laurentino Gomes, Lázaro Ramos e Pam Gonçalves. Eles gravaram também um vídeo com partes da canção “Apesar de Você”, de Chico Buarque, um dos símbolos da luta contra a ditadura militar no Brasil.


Segue o manifesto:

“A Bienal Internacional do Livro Rio é a oportunidade que temos, a cada dois anos, de nos reunir e encontrar nossos públicos, nos inspirar e debater livremente sobre todo e qualquer tema, sem restrições e com empatia. Um evento de conteúdo qualificado e diverso, reconhecido nacional e internacionalmente como o maior festival cultural do Brasil.

Nos últimos dias, a Bienal se tornou um abrigo democrático, ao lado de 600 mil pessoas que prestigiaram o evento contra as insistentes tentativas de censura. Se engana quem pensa que o alvo é a Bienal Internacional do Livro. O alvo somos todos nós, cidadãos brasileiros, pois não precisamos ter quem determine o que podemos ler, pensar, escrever, falar, ou como devemos nos relacionar. O brasileiro não precisa de tutor, precisa de educação para que cada um possa fazer suas escolhas com consciência e liberdade.

Foi com alívio e muito orgulho que recebemos as duas decisões de ministros do STF, impedindo que a Bienal continuasse sofrendo assédio a literatura e seus leitores. Do contrário, se criaria uma jurisprudência que colocaria todos os eventos culturais, autores, editores e livrarias do Brasil, a mercê do impedimento do que é próprio ou impróprio, a partir da ótica de cada um dos 5.470 prefeitos do país.

Encerramos essa edição histórica da Bienal Internacional do Livro Rio com o coração cheio de orgulho e determinação. Ela não acaba hoje, ela seguirá com cada um de nós todos os dias. O festival foi memorável. Deu voz e ouvidos à todos os públicos. Reuniu e celebrou a cultura junto com autores, artistas, pensadores, lideranças de movimentos sociais, pastor evangélico, monges, budistas, jornalistas, acadêmicos, ativistas, chefes de cozinha, entre muitos outros.

Viva a Bienal do Livro Rio! Viva a cultura! Viva a liberdade e a democracia!”

Quem quiser conferir o vídeo da leitura do manifesto, está disponível no G1 (clique aqui).

A 20ª edição da Bienal foi confirmada durante a coletiva, mas ainda sem data oficial divulgada.

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