Freddie Mercury foi um dos maiores ícones musicais do mundo. Dono de muito talento e de uma personalidade única e original, o vocalista liderou a banda Queen e conquistou uma legião de fãs. Assim, a cinebiografia Bohemian Rhapsody – título de uma das mais famosas canções do grupo – é muito mais sobre Mercury do que o Queen. Apesar de conseguir mostrar uma força em sua história, o filme possui falhas.

Bohemian Rhapsody teve muitos problemas nos bastidores. A troca de diretores – de Bryan Singer para Dexter Fletcher – no meio da produção foi considerada polêmica. As notícias disseram que Singer teve desentendimentos com os atores e a equipe de produção, além de chegar atrasado e não respeitar horários. Verdade ou não, percebemos em tela que algo não saiu como planejado e prejudicou o resultado final.

O filme possui sim suas qualidades. Porém, existe uma enorme falta de equilíbrio em como a história é conduzida. O primeiro ato é desenvolvido de forma rápida demais, sem deixar o espectador devidamente a par das situações apresentadas. Em poucos minutos a banda é formada, em uma construção extremamente abrupta. Percebe-se como muitos dos cortes são bruscos com uma montagem problemática.

Fica quase tudo muito episódico, pois o roteiro não se mostra tão eficiente. As vidas pessoais de Roger (Ben Hardy), Brian (Gwilym Lee) e John (Joseph Mazzello) ficam em segundo plano, deixando-os pouco relevantes na narrativa. Entende-se que o foco era em Mercury, mas isso é um ponto que incomoda na estrutura do que pretende ser contado. Dessa forma, o maior registro de construção é na relação entre o vocalista e sua namorada Mary (Lucy Boynton).

A vida de Freddie Mercury é mostrada em detalhes, inclusive a sua bissexualidade. Assim, Rami Malek é a grande estrela do filme. Em uma performance incrível, o ator se mostra a escolha ideal para o papel. Ele conseguiu tirar o melhor do personagem, mostrando então uma interpretação inspirada e bem estudada. O elenco todo está bem, com destaque para Mike Myers como o produtor musical Ray Foster.

As cenas dos shows emocionam e são os momentos mais empolgantes do longa. Principalmente a apresentação da banda no Rock in Rio de 1985, que a produção conseguiu recriar muito bem. A sequência final é um encerramento ótimo, pois é uma verdadeira celebração à vida de Mercury – mesmo que tenha problemas de cronologia em relação aos eventos na vida real. Elogios também para a fotografia, que consegue resgatar o clima dos anos 70, resultando em uma boa ambientação da época.

Bohemian Rhapsody empolga e emociona em vários momentos, mas se mostra uma cinebiografia incompleta e um filme com problemas de estrutura.

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